“Previsões do governo caem por terra”

24 de maio 2012 - 0:07

Bloco denuncia que as contas públicas estão piores do que inicialmente apesar de tantos sacrifícios. Dados da execução orçamental mostram que as receitas fiscais caíram 3% nos primeiros quatro meses deste ano, apesar dos aumentos de impostos, designadamente do IVA.

PARTILHAR
"Governo não faz nenhuma consolidação das contas públicas, bem pelo contrário", diz Pedro Filipe Soares. Foto de Paulete Matos

As receitas fiscais caíram 3% nos primeiros quatro meses deste ano, enquanto a despesa corrente aumentou 1%, revelam os dados do boletim de execução orçamental divulgados pela Direção-Geral do Orçamento (DGO). O Estado português está a recolher menos impostos, sobretudo em IVA, e o corte de 5% nas despesas com pessoal foi insuficiente para fazer cair a despesa total.

Assim, o défice do subsector Estado atingiu 3,05 mil milhões de euros nos primeiros quatro meses do ano, o que representa um agravamento face ao desequilíbrio de 2,45 mil milhões de euros registado no mesmo período do ano passado.

Excedente da Segurança Social cai

No mesmo período, a despesa com subsídios de desemprego e de apoio ao emprego cresceu 150 milhões de euros (um aumento de 21,4%), refletindo o impacto do aumento do desemprego. A taxa de desemprego estava nos 12,4% no primeiro trimestre de 2011; no início de 2012, já atingia os 14,9%.

O aumento do desemprego também se reflete numa redução importante das contribuições e quotizações: esta receita da Segurança Social caiu 2,8% face ao mesmo período de 2011.

A Segurança Social registou assim um excedente de 275 milhões de euros nos primeiros quatro meses deste ano – muito abaixo dos 726,4 milhões do mesmo período de 2011.

Os gastos da Segurança Social com outras prestações sociais também aumentaram: a despesa com pensões cresceu 4,3 por cento, enquanto os gastos com o rendimento social de inserção (“rendimento mínimo”) aumentaram 3,6 por cento.

Austeridade piora as contas públicas

O deputado Pedro Filipe Soares, do Bloco de Esquerda, afirmou que os dados da execução orçamental demonstram que "a austeridade está a minar as contas públicas", deixando-as "ainda piores" do que estavam antes.

"Depois de tantos sacrifícios, nós temos as contas públicas ainda piores do que estavam inicialmente, com uma queda na receita fiscal e com a recessão económica a fazer o sangramento de todo o sacrifício dos portugueses. A austeridade gera a recessão, a recessão está a minar as contas públicas", disse o deputado bloquista.

Pedro Filipe Soares sublinhou a "queda brutal na receita fiscal, de três por cento", e contestou o "aumento do custo dos serviços públicos" e a "falta de investimento" do Estado que, no seu entender, "demonstra a brutalidade destas políticas".

O parlamentar recordou que "o investimento no Serviço Nacional de Saúde caiu 9,5 por cento" e "o investimento nos serviços de ensino superior caiu 19,7 por cento", concluindo: "Isto mostra como o governo está a atacar aquilo que é fundamental aos portugueses e não faz com isso nenhuma consolidação das contas públicas, bem pelo contrário".