“O primeiro ministro tem uma estratégia: sacudir a água do capote”

15 de junho 2012 - 16:10

"Há um padrão que se começa a notar nestes debates", afirmou Francisco Louçã, adiantando que, “perante qualquer dificuldade, o primeiro ministro tem uma estratégia: sacudir a água do capote”. “Essa estratégia apareceu noutros momentos deste debate”, referiu o deputado do Bloco, avançando que “apareceu a propósito de Espanha, da recapitalização da banca e do impulso ao emprego jovem”.

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“Não sabe, defende-se com ignorância, defende-se com desinteresse e defende-se com falta de estratégia”, frisou Louçã.

“E ficámos a saber que, numa área tão estratégica como é a saúde, decide cada um por si e sem nenhuma regra para todos”, sublinhou o dirigente bloquista, referindo-se ao esclarecimento do primeiro ministro sobre a Maternidade Alfredo da Costa.

“Essa forma apareceu noutros momentos deste debate”, referiu o deputado do Bloco, avançando que “apareceu a propósito de Espanha, da recapitalização da banca e do impulso ao emprego jovem”.

No que respeita ao tema da Espanha, Francisco Louçã acusou Passos Coelho de ter feito "um jogo retórico". "É o retrato da Europa", destacou. “Porque se pedem 100 mil milhões para recapitalizar a banca, como já acontece em Portugal, mas não está nada tratado, não há nada nenhuma regra para propor aos países. No entanto, o que todos sabemos é que a banca e o sistema financeiro são generosos a distribuir os seus prejuízos e muito rápidos a ganhar as suas vantagens. E, no fim do dia, são os contribuintes que vão pagar tudo, como estão a pagar em Portugal”, advogou Louçã.

A este respeito, o representante do Bloco deu o exemplo da banca portuguesa.

“Veja o que o senhor fez com a banca portuguesa. O BPI vendeu há pouco tempo 10% por 46 milhões de euros. O governo, com o dinheiro que os contribuintes vão pagar, pôs lá 40 vezes isso . O senhor nacionalizou o BPI e nacionalizou o BCP e os contribuintes vão pagar todos os prejuízos”, acusou o dirigente bloquista.

“Os 'troika boys' têm vivido de mentira atrás de mentira. Nada resulta nesta política. Não há nenhuma solução, não há nenhuma coerência, não há nenhuma estratégia, nenhuma visão financeira, nenhuma visão orçamental. Deixar a Europa ir ao fundo cantando e rindo, é o que os senhores estão a fazer e é o que fazem em todas as medidas que tomam, nomeadamente no que respeita ao emprego”, adiantou ainda Francisco Louçã.

O coordenador da Comissão Política do Bloco de Esquerda serviu-se de um anúncio publicado no portal do governo para retratar a política de emprego do executivo: “Procura-se arquiteto que fale inglês e francês, tenha carro próprio, horário das 9h30 às 19h30. Isto é o emprego que vocês prometem aos jovens”, “ofertas de emprego como um estágio a 500€ para um arquiteto com mestrado”, salientou Louçã.

“Não têm nada a dizer um ano depois da troika sobre qualquer um dos problemas essenciais – como é que vivem as pessoas, como é que os jovens, que têm já quase 40% de desemprego, podem responder às dificuldades”, adiantou ainda.

“Espanta-se que haja revolta popular? E que em Atenas haja, em véspera de eleições, vontade de mudar e de ter um governo que faça frente à troika?”, questionou Francisco Louçã, dirigindo-se a Pedro Passos Coelho.

“Pois ouça bem: em Atenas, como em Lisboa, como em Madrid, como em Berlim, hoje sabe-se que a Europa está a fracassar”, alertou Louçã.

“E, em Portugal, este governo é diretamente responsável por ter levado as soluções da troika tão longe como queria”, avançou.

“Vejam o retrato do sistema financeiro: a família Eduardo José dos Santos é capaz de comprar por 46 milhões o décimo de um banco e o sr. primeiro ministro tem o desplante de nos dizer que colocando 40 vezes esse valor são ações híbridas”. “Os portugueses vão pagar todos os cêntimos desse dinheiro”, frisou o dirigente bloquista.

“É por isso que é tão importante uma alternativa que possa trazer sensatez à Europa e sensatez a Portugal, mas isso não passa por sacudir a água do capote”, rematou o dirigente bloquista.