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“O Governo dá-se mal com a verdade e vive hoje da aldrabice”

João Semedo, candidato à Câmara Municipal de Lisboa, acusou o Governo PSD/CDS-PP de prometer “com uma mão e tirar com a outra” e, sobretudo, de “enganar com as duas mãos”, e o PS e António José Seguro de se deixarem “contagiar por este vírus de dissimulação”. Segundo o coordenador nacional do Bloco, o país precisa “de um consenso de esquerda, um consenso para um governo que retire o país da crise e acabe com a política de austeridade”.
Foto de Paulete Matos.

O coordenador nacional do Bloco de Esquerda, e candidato à Câmara Municipal de Lisboa, frisou esta sexta feira, durante uma iniciativa de abertura de campanha que teve lugar no Largo do Cauteleiro, que o Bloco começa esta batalha eleitoral autárquica “com a máxima confiança, com a maior exigência, a maior responsabilidade, com a máxima intensidade de quem sabe que pode e vai derrotar a direita, o PSD, o CDS e o Governo neste primeiro desafio eleitoral da era da troika”.

“Não irão ouvir o Bloco de Esquerda dizer 'que se lixem as eleições'”, avançou o candidato bloquista, salientando que o Bloco quer "lixar nas eleições quem tem andado a lixar a vida dos portugueses".

Referindo-se ao “papel da dissimulação na política portuguesa, à qual o governo chama problema de comunicação”, João Semedo lembrou o episódio da criação de briefings e a sua extinção, “antes que estes acabassem com mais ministros”, como o próprio Poiares Maduro.

A respeito da dissimulação, o coordenador nacional do Bloco de Esquerda criticou ainda o "jogo combinado" e as "duas vozes" do Governo. “O primeiro ministro faz campanha eleitoral e Paulo Portas vai governando nos intervalos”, avançou, acusando o executivo de prometer “com uma mão e tirar com a outra” e, sobretudo, de “enganar com as duas mãos”. “O governo dá-se mal com a verdade e vive hoje da aldrabice”, sublinhou o dirigente bloquista.

Segundo afirmou João Semedo, “a política do governo é indefensável porque ela é implacável, brutal e destruidora”. “A dissimulação não nos pode enganar. Esta política tem um objetivo: pôr os portugueses cada vez mais pobres, desvalorizar o seu trabalho, retirar o rendimento a quem vive do seu trabalho”, esclareceu.

“O PS e António José Seguro deixaram-se contagiar por este vírus de dissimulação”, adiantou ainda o candidato à Câmara Municipal de Lisboa. “São contra tudo, mas aceitam negociar. São oposição, mas é com o governo que conversam. São contra a austeridade mas aceitam discuti-la. São contra a direita mas é com ela que se sentam a negociar a austeridade”, afirmou João Semedo, adiantando que o PSD “namora descaradamente” o PS e o PS “alimenta este namoro”.

“Os consensos de que fala António José Seguro, Paulo Portas e Pedro Passos Coelho são os consensos para mais austeridade, para mais desemprego e para mais pobreza. E o que nós precisamos é de um consenso de esquerda, um consenso para um governo que retire o país da crise e acabe com a política de austeridade”, defendeu João Semedo.

“Quem quer derrotar o Governo, quem quer acabar com a austeridade, quem não quer nem namoros nem consensos com a direita, quem quer e se bate por um governo de esquerda tem uma resposta e um voto no dia 29 de setembro: um voto no Bloco de Esquerda”, rematou.

Catarina Martins apela a um novo "ciclo da mobilização"

“Estamos a viver com o Governo de direita PSD/CDS-PP uma engenharia social que faz a maior transferência de sempre de rendimentos do trabalho para o capital. É isto, nem mais nem menos. E é isto que se preparam para fazer ainda mais e com uma nova armadilha. Preparam-se para fazer mais fazendo-nos acreditar que há dois países. Que há o país da Função Pública e que há o resto do país. Não é verdade. O que o Governo quer, pura e simplesmente, é reduzir os custo do trabalho. Os cortes nos salários e pensões no setor público servirão apenas e só para cortar também nos salários e pensões do setor privado”, avançou a coordenadora nacional do Bloco de Esquerda.

A dirigente bloquista apelou a um "ciclo da mobilização" que derrube um Governo que tem implementado o "corte de salários, pensões e serviços públicos".

Temos pela frente uma campanha que enfrenta um país destroçado”

A candidata à Assembleia Municipal de Lisboa, Ana Drago, frisou que “o poder autárquico é provavelmente um dos símbolos principais das conquistas democráticas do 25 de abril e um dos processos mais democráticos do nosso regime”.

No entanto, “não nos devemos enganar”, adiantou a dirigente bloquista, sublinhando que “esta campanha “não é, não será, uma campanha semelhante àquilo que foram outros processos eleitorais autárquicos”. “Temos pela frente uma campanha que enfrenta um país destroçado, dizimado pela política de austeridade de dois anos de governo PSD/CDS/troika, esses mesmos que nos prometeram, em 2011, que esta seria a austeridade criativa, que ia multiplicar as possibilidades de crescimento da economia portuguesa”, avançou a candidata bloquista.

Segundo Ana Drago, nestas eleições, “temos de pensar verdadeiramente como é que olhamos para aquilo que conta na sociedade portuguesa – como é que olhamos para a destruição das condições de vida e até para a esperança de um futuro diferente de tantas famílias, de tantos jovens, de tantos reformados, de tantos trabalhadores em Portugal”. “O que custa e o que conta é perceber com espanto como a palavra fome se inscreveu no debate político como já não havia memória, porque é essa palavra que descreve as condições, as dificuldades da vida quotidiana de tantas famílias”, frisou a dirigente do Bloco de Esquerda.

O comício/concerto que teve lugar no Largo do Cauteleiro, em Lisboa, e que marcou a abertura da campanha autárquica do Bloco de Esquerda, contou ainda com intervenções dos dirigentes Cecília Honório, Francisco Louçã, Luís Fazenda e Fernando Rosas e com música de Quarto Escuro e Omiri.

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