“O futuro da democracia joga-se na Grécia”

09 de junho 2012 - 2:12

Francisco Louçã sublinhou esta sexta feira, no comício "Com o povo grego contra a troika", que "dia 17 de junho o que está em causa é a Grécia, mas também somos nós". "Vemos a Europa como solidariedade, como projeto social, onde conta o emprego e os serviços públicos. É porque estamos connosco que estamos com os gregos", avançou ainda a eurodeputada Marisa Matias durante a sua intervenção.

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Foto de Oneiros, Flickr.

Durante o comício “Com o povo grego contra a troika”, que teve lugar esta sexta feira no Mercado Ferreira Borges, no Porto, e contou com as intervenções de Manuel Correia Fernandes, vereador independente do PS na cidade do Porto, Marisa Matias, Fernando Rosas, Francisco Louçã e Catarina Martins, o coordenador da Comissão Política do Bloco de Esquerda enumerou três razões que sustentam o empenho do Bloco com as eleições gregas e com a Syriza.

A primeira é Portugal. “A Grécia tem dois anos de troika, mas em apenas um ano os portugueses já viram os impostos aumentar, os salários diminuir e o desemprego disparar", sublinhou Francisco Louçã.

A receita é a mesma, avançou o dirigente bloquista, frisando que "o que serve para Portugal, serve para a Grécia e o que serve para a Grécia serve para Portugal".

A este respeito, Louçã referiu-se ainda à proposta de desvalorização salarial, avançada por António Borges, o "verdadeiro ministro sombra”, "grilo falante daquele Pinóquio mentiroso [governo]", e ao programa Impulso Jovem, que "mais não é que promover que o Estado pague, com o dinheiro da Segurança Social, salários mais baixos, alinhados pelos 500 e poucos euros", e que se baseia em "baixar os salários dos jovens, prometendo-lhes estágios e não empregos, promessas em vez de trabalho".

Para o deputado do Bloco, uma segunda razão diz respeito ao eventual resgate a Espanha, para financiar a banca do país, que constitui a “chantagem dos mercados sobre o país, para começar mais um ciclo de austeridade".

"O que está a ser dito para a Espanha é que tem que se entregar a mais medidas de austeridade para que os impostos do país, nos próximos anos, sejam destinados a pagar esta gigantesca operação de financiamento da banca que se entregou à especulação imobiliária".

Quem beneficia com a crise é a Alemanha, adiantou Louçã, lembrando que o país comandado pela senhora Merkel “financia-se a zero por cento e cobra depois, a Portugal ou à Grécia, a 4,5 por cento”. "Se há crise é em Berlim. Se há especulação é em Berlim. Se há um perigo para a democracia é em Berlim", advogou o dirigente bloquista, enfatizando que "o futuro da democracia joga-se na Grécia”.

A terceira razão, segundo Francisco Louçã, prende-se com a própria Grécia.

Na Grécia, recordou Louçã, “não há uma avaliação de três em três meses, há uma delegação permanente que autoriza cada despesa ‘cheque a cheque’, retirando autonomia sobre a execução orçamental ao governo grego e tornando-se numa forca de ocupação".

"É por isso que a Syriza diz que o seu mandato é correr com a troika, recuperando a economia", avançou o deputado do Bloco.

"Dia 17 de junho o que está em causa é a Grécia, mas também somos nós", frisou Francisco Louçã.

"As eleições gregas são a prova dos nove sobre a democracia na Europa"

Segundo o dirigente bloquista Fernando Rosas, o que está em causa nas eleições gregas é "saber se a União Europeia aceita a decisão livre dos gregos e encara negociar com um governo de esquerda, ou se, pelo contrário, só aceita um que aceite o programa da troika que tem afundado a Grécia".

“Dizendo que os gregos ‘ousaram desafiar’ um sistema tão bem engendrado como o do ‘arco da governação’, que tem conduzido a Europa até à atual situação, Mário Moutinho, diretor do Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica, diz que a vontade dos gregos levanta um sério desafio e perigo para as forças que governam a aurora”. "Estão agora todos muito preocupados. E se a moda pega nos outros países?", ironizou Fernando Rosas.

"O que está a ser feito por Merkel à Grécia e Portugal é um experimentalismo sem nome”

A eurodeputada do Bloco Marisa Matias, adiantando que as lideranças europeias atuais, subordinadas a Merkel, "são os coveiros do modelo social europeu", defendeu que a única coisa que pode salvar a Europa é “mais Europa, solidariedade em vez da especulação”.

"Vemos a Europa como solidariedade, como projeto social, onde conta o emprego e os serviços públicos. É porque estamos connosco que estamos com os gregos", avançou Marisa Matias, realçando que "somos europeístas mas não somos ‘eurotontos’".