“Governo encara a recessão que causou com a austeridade como uma boa notícia"

24 de agosto 2013 - 10:10

A dirigente bloquista Mariana Mortágua, que, a partir de 31 de agosto, substituirá Ana Drago como deputada do Bloco de Esquerda, defendeu esta sexta feira que “uma execução e uma consolidação orçamental feita unicamente à custa da retirada e diminuição dos salários e pensões não pode ser sustentável”.

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Foto de Paulete Matos.

Reagindo à síntese de execução orçamental de julho, publicada esta sexta feira pela Direção-Geral do Orçamento (DGO), Mariana Mortágua lembrou que “este Governo já teve de renegociar mais que uma vez metas do défice por incapacidade no seu cumprimento”.

“Por enquanto, está a conseguir uma folga orçamental, mas à custa da recessão, do empobrecimento e do desemprego", frisou.

Segundo a dirigente bloquista, é motivo de indignação e surpresa que "os partidos da coligação, PSD e CDS, e o próprio Governo encarem a recessão que causaram com a austeridade como uma boa notícia".

"Uma execução e uma consolidação orçamental feita unicamente à custa da retirada e diminuição dos salários e pensões não pode ser sustentável porque é recessiva por natureza e as outras vertentes da execução orçamental mostram bem esse caráter recessivo", salientou, exemplificando com a quebra de receitas do IVA.

"O ajustamento que foi possível este mês e na execução acumulada até ao mês de julho foi feito à custa de um aumento médio de 30 por cento no IRS, portanto à custa da diminuição de rendimento disponível dos trabalhadores e dos pensionistas", acrescentou ainda Mariana Mortágua.

De acordo com a DGO, o défice da Administração Central até julho deste ano registou uma melhoria de 486,2 milhões de euros face ao período homólogo, excluindo as operações extraordinárias registadas até julho de 2012.

Já o saldo da Administração Central fixou-se nos -5520 milhões de euros, face ao défice de 3384,5 milhões registado no mesmo período de 2012, ou seja, verificou-se uma deterioração superior a dois mil milhões de euros.