“Lamento dizê-lo, mas não considero que o Presidente da República tenha razão quando diz que este resgate é uma oportunidade para o país, este tipo de resgates tem sido feito, na Grécia, na Irlanda, tem sido uma tragédia para esses países e não abriu nenhuma solução”, declarou Miguel Portas, comentando a comunicação do Presidente da República.
Segundo a agência Lusa, o eurodeputado disse também que, ao contrário de Cavaco Silva, espera que o plano da troika “não seja o início de um longo caminho”: “Isso significaria que andaríamos de resgate em resgate, não é possível pôr a economia portuguesa a crescer menos dois por cento este ano e no próximo ano e pagar juros ainda desconhecidos, mas que seguramente andarão perto dos 5 por cento”, realçou.
Para o dirigente do Bloco, “se os portugueses não aproveitarem a próxima eleição legislativa para dizer que este não é o único futuro possível e que recusam o pior dos futuros”, dentro “de dois anos, Portugal precisará de outro resgate, precisará de condições ainda mais difíceis e estará pior e com uma maior dívida”.
Miguel Portas contrariou ainda Cavaco Silva quando este “diz que os interesses dos portugueses estiveram no centro das negociações” e sublinhou que “não se defendem os interesses dos portugueses quando se congelam salários e pensões, quando se aumenta o IVA, as taxas moderadoras, se retira dinheiro aos hospitais”.
“De facto, os interesses dos portugueses estiveram à mesa das negociações, mas na condição de vítimas”, concluiu o eurodeputado do Bloco.