“Cortar salários não resolverá os problemas”

08 de fevereiro 2011 - 13:11

O secretário-geral da CGTP, Carvalho da Silva, defendeu na segunda-feira à noite que “é preciso rigor e recompor com realismo a dimensão das estruturas e criar uma maior eficácia da administração pública, mas não é de uma forma cega”.

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O líder da CGTP insistiu que se “os governantes não interpretarem o sentimento das pessoas e as suas justas reivindicações poderão surgir convulsões sociais muito duras”. Foto LUSA.

Carvalho da Silva comentou em Penafiel as notícias de que o Governo poderá ainda este ano diminuir as retribuições dos dirigentes da administração pública. “Não é a cortar nos salários dos quadros da administração pública que o Governo irá resolver os problemas”, afirmou em declarações à Lusa.

O dirigente sindical disse esperar que “o Governo não entre numa aventura de ataque à administração pública também pela via de desvalorização das funções dirigentes”.

Carvalho da Silva lembrou, a propósito, que em vários sectores do Estado, nomeadamente no ensino ou na saúde, “muitas pessoas que se sentem maltratadas, mesmo tendo prejuízo, abandonam o seu trabalho”.

O Secretário-geral da CGTP sublinhou que o país ouve o Primeiro-ministro a dizer que não haverá desemprego na administração pública, mas “está todos os dias a adoptar políticas que conduzem ao desemprego”.

Carvalho da Silva participou na segunda-feira à noite numa conferência promovida pela Câmara de Penafiel subordinada ao tema 'Sociedade actual, caminhos e descaminhos'.

À margem da iniciativa, o dirigente explicou também que as greves no sector dos transportes, que decorrem esta semana, têm como objectivo “chamar à atenção para a injustiça de sobrecarregar os que menos têm”.

“Em cada uma das empresas há contratos colectivos de trabalho assinados que foram negociados livremente. Não é admissível que em nome de uma qualquer crise uma parte unilateralmente resolva não cumprir o contrato”, vincou.

À Lusa destacou ainda que na convocação destas acções de protesto “houve a preocupação de não fazer cargas diárias tendo em conta que as pessoas vivem também com dificuldades”.

“Essa será uma linha que se vai manter”, prometeu. O líder da CGTP insistiu que se “os governantes não interpretarem o sentimento das pessoas e as suas justas reivindicações poderão surgir convulsões sociais muito duras”.