"Durante este fim de semana, o país assistiu a um congresso do PSD que foi uma autêntica alucinação coletiva com dezenas de dirigentes a festejarem o sucesso da política deste Governo”, afirmou José Gusmão em conferência de imprensa este domingo. Para o dirigente bloquista, “nem mesmo os dados mais recentes do desemprego, que mostram como a retoma tem pés de barro, fizeram Pedro Passos Coelho descer à terra e tomar contacto com as consequências da sua política”.
José Gusmão lembrou que a política do memorando da troika "centrava-se em dois indicadores fundamentais, o défice e a dívida”. Mas Passos Coelho "optou por não falar em nenhum dos dois. O PSD, que antes dizia que uma dívida próxima dos 100 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) significava a bancarrota do país, considera agora que uma dívida de 130 por cento do PIB coloca o país no bom caminho. O PSD, que antes dizia que o défice tinha de ser o centro da política económica, não fala agora da forma como ao longo dos últimos anos todas as metas do défice foram sistematicamente falhadas", sublinhou, citado pela agência Lusa.
Para o Bloco de Esquerda, é muito simples “o aviso que o primeiro-ministro fez hoje, dizendo que tudo o que fizemos não chega e que temos de fazer muito mais”: a seguir às eleições europeias vem mais austeridade.
Escolha de Assis pelo PS é “preocupante”
A escolha de Francisco Assis para encabeçar a lista do PS às europeias foi anunciada por António José Seguro este domingo. "É um sinal preocupante”, reagiu José Gusmão na conferência de imprensa, ressalvando ainda não ser conhecido o discurso que o candidato socialista irá adotar na campanha eleitoral.
"Mas registamos que António José Seguro escolheu para ser a voz do PS nas próximas eleições europeias uma pessoa que é conhecida por todo o país por defender o Bloco Central, ou seja, por defender que o PS faça um acordo com aqueles que têm governado o país para que se continue a implementar políticas de austeridade nos próximos anos", apontou José Gusmão, lembrando o esforço de Assis em responsabilizar a esquerda “pelo estado a que o país chegou" nas suas intervenções públicas recentes.
"Num momento em que a direita destrói o país, Francisco Assis tem atacado os partidos à sua esquerda. Pensamos que é um sinal preocupante que o PS dá com essa candidatura, mas aguardaremos mais definições no plano da política desse candidato", concluiu o dirigente do Bloco.