Será que o sofrimento nos servirá para aprendermos com os erros de apreciação táctica cometidos? E será, que esses mesmos erros, foram determinantes nas consequências do nosso desaire eleitoral?
Independentemente dessa apreciação táctica, de natureza naturalmente subjectiva, circunstancialismos de natureza objectiva, criados a partir da tomada do poder pelo centro direita, da candidatura de Cavaco Silva à Presidência da República, abriram o caminho ao sonho de Sá Carneiro; “um presidente, um governo, uma maioria parlamentar”.
Adicionalmente à abertura de todo o percurso atrás citado, o pensamento único dominante, conseguiu impor à sociedade portuguesa, o terror e o medo, do incumprimento do pagamento da dívida (pública e privada), lançando o pânico na população com o espectro da bancarrota…
A esquerda (e afinal o que é a esquerda em Portugal…?), mostrou-se incapaz de apresentar uma alternativa, face ao projecto da direita e como tal, foi fortemente penalizada, de entre a qual, saímos dolorosamente derrotados.
À luz dos ensinamentos da realidade da vida, é hoje fácil para todos nós, aceitarmos o erro do apoio à candidatura de Manuel Alegre, (sendo certo, que poucas ou praticamente nenhuma alternativa credível, se nos apresentou…). E eu assumo a minha quota-parte de responsabilidade neste apoio…!
No tocante, à precipitada e sinuosa apresentação da moção de censura ao governo, penso que os nossos camaradas da Comissão Política, se deixaram enredar, pelo considerado “perigo” de ultrapassagem do PC…, conduzindo-nos a uma insuficiente e mal suportada justificação da mesma.
A não ida às conversações com a Troika, terá igualmente contribuído e muito, para que o nosso eleitorado, (flexível e volátil como é), não tivesse entendido, a nossa fidelização a princípios ideológicos e de não nos termos assumido como partido de poder, face à “tragédia” que os media diariamente lhes impunham.
Uma vez mais, sofremos a síndroma do “medo” do espectro do PC, que deixou no nosso eleitorado, a ideia duma prévia conjugação de posições com o referido partido.
O Bloco, tem estrita necessidade de se afirmar como partido com sentido de Estado e para isso, tem necessariamente, (sem perda da sua matriz ideológica), de comparecer a actos de Estado, quando para tal a sua presença se impuser.
Cito como exemplos negativos (aos olhos da população em geral) a recusa a recepções oficiais, como as ocorridas, aquando das visitas dos dirigentes chineses e angolanos a Portugal.
Nem todas as designadas “causas fracturantes”, são em minha opinião, entendíveis e aceites pela massa eleitoral que nos foi fiel. Penso ser necessário reanalisar, ponderadamente toda esta problemática, sendo certo que na generalidade, concorde com a maioria delas…
Para concluir e porque os tempos que se avizinham, se nos deparam difíceis, eu quero manifestar a minha total discordância, com as correntes que advogam uma culpabilização personificada neste ou naquele dirigente, (como se se andasse numa caça às bruxas), em busca de oportunidades promocionais de poder…Somos um colectivo e como tal, deveremos de assumir, as responsabilidades como colectivo!
Não posso deixar de manifestar o meu total desacordo, com a atitude do camarada Miguel Portas, ao abandonar a Comissão Política. O rejuvenescimento desejado, não é necessariamente sinónimo de melhor qualidade! Esta atitude, em nada contribuirá para reformular o que sintamos ser necessário corrigir…!
Discordo plenamente, com o assacar de responsabilidades pessoais, (como aliás é frequente nos partidos de ideologia burguesa), sobre seja quem for, sobretudo no nosso, onde o pluralismo de opiniões é tão diverso e onde não verifico a existência de coações sobre ninguém!
Quero saudar uma das matrizes, que estão na origem da fundação do Bloco, o respeito e a tolerância, para com as divergentes opiniões daqueles que incorporam o nosso colectivo.
Defendo, (apesar do duro golpe que sofremos com o Rui Tavares…), que deveremos continuar a apostar na inclusão de independentes nas nossas listas. A metodologia é que deverá ser alterada, no sentido de ser garantido o mandato, (mesmo que o deputado se queira afastar dos princípios, que o levaram a integrar as nossas listas…).
Acho ser este o caminho, que deveremos continuar a trilhar, sendo certo que é aqui, que nos diferenciamos da restante esquerda!
Rogério Miranda