“O Bloco de Esquerda está muito empenhado na coligação aqui no Funchal. É um movimento inédito, é um grupo muito alargado de cidadãos, a maior parte deles independentes, que é apoiado por uma coligação muito ampla de partidos da oposição [PS, BE, PND, MPT, PTP e PAN], que dão a alternativa na Madeira, no Funchal, e também em outras autarquias, de se poder escolher entre continuar a hegemonia do PSD ou romper com essa hegemonia, e responder às necessidades das pessoas”, afirmou Catarina Martins durante uma iniciativa de campanha com Paulo Cafofo, cabeça de lista da coligação “Pela Mudança” no Funchal.
“Não é inevitável continuar com as mesmas políticas. Ninguém está condenado sempre às mesmas políticas e o Funchal não está condenado para sempre ao ‘jardinismo’. A alternativa existe e existe com este movimento forte, de coligação, que é feita em nome das pessoas, que responde à emergência social”, avançou ainda a dirigente bloquista.
Segundo a coordenadora nacional do Bloco, “a coligação no Funchal é um sinal importante para o país”.
“Quando há vontade é possível ter estas coligações alargadas, com propostas que são coerentes, que são concretas, e que podem ser a alternativa às políticas dominantes”, frisou.
Questionada pelos jornalistas sobre a atual crise política, Catarina Martins voltou a reforçar que esta “não nasceu nem de birras nem de amuos, sendo certo que os governantes têm tido um comportamento que insulta as pessoas”, mas sim do falhanço do programa de ajustamento.
“Vítor Gaspar explica-o na sua carta de demissão: o programa de ajustamento falhou, a dívida está a galopar e, portanto, a renegociação da dívida é o único caminho. Sendo esse o único caminho inevitável, precisamos de um governo forte, com uma nova legitimidade. E essa força, essa credibilidade, só pode nascer das eleições, só pode vir da legitimidade popular sufragada nas urnas. O caminho para a saída da crise é, necessariamente, a convocação de eleições”, defendeu.
A deputada do Bloco, afirmou ainda que “os argumentos que têm vindo a ser apresentados nestas últimas três semanas sobre a estabilidade ficaram completamente ultrapassados”. “Toda a gente percebe que não existe estabilidade numa coligação em que os protagonistas não confiam uns nos outros. Toda a gente percebe que não existe estabilidade numa coligação que, face ao falhanço do programa político, não tem credibilidade nem junto do seu país nem das instituições internacionais”, rematou.
“Nunca tantos partidos estiveram tão unidos para tomar as rédeas do destino”
O cabeça de lista da coligação “Pela Mudança” no Funchal, Paulo Cafofo, frisou que esta é a “maior coligação que alguma vez se fez na região”, sendo que “nunca tantos partidos estiveram tão unidos para tomar as rédeas do destino” e combater o “estado de agonia social e calamidade empresarial em que se encontra a região”.
Paulo Cafofo frisou o “contributo indispensável e decisivo que o Bloco de Esquerda tem nesta coligação, tanto na união que proporciona dentro destes partidos como nas propostas para a construção de um projeto para o concelho do Funchal”.