“É preciso Mais e Melhor Democracia no BE”

26 de junho 2011 - 0:00

Contributo de António Almeida

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Foi este o título que dei à minha contribuição para o debate da VII Convenção.

Agora, após o resultado eleitoral de 5 de Junho, não defendo a demissão da direcção do BE. No entanto acho que os dirigentes, ou são demasiado convencidos da sua verdade, ou muitas vezes autistas. Ao contrário do que se pretende fazer crer para fora, acho que há muito vício de organização centralista, ou seja a discussão vem apenas de cima para baixo e nunca o contrário. Para além de que, como em todos os outros partidos se faz concentrar toda a atenção no líder, Francisco Louçã. É uma cedência à burguesia e à imprensa.

Poderemos pensar! Foi nestas eleições que o BE desceu muito ou foi nas de 2009 que subiu demasiado, à custa de muitos votantes quererem castigar Sócrates. O que é que o BE tinha feito de extraordinário, para ter duplicado os deputados? Agora o campeonato era outro e o BE voltou para aquele que será, eventualmente, o seu lugar em termos eleitorais.

O BE depois de ter conseguido em poucos anos uma representação parlamentar muito significativa, tornou-se um partido em muitos aspectos semelhante aos restantes partidos do espectro parlamentar. Muito institucional e defensor de leis que são um autêntico sugadouro dos dinheiros públicos.

- Lei das finanças dos partidos, leis sobre as finanças para as campanhas eleitorais e outras.O pagamento de 75,00€ aos membros das mesas eleitorais, é para mim um escândalo!

- “ A Democracia tem custos! ” - Tenho ouvido dizer, quando falo nestas questões. Mas há custos que são um forrobodó!

- Apesar do que atrás está dito, o resultado eleitoral do BE no dia 05 de Junho de 2011, pode ter na minha opinião, origem em vários comportamentos do Bloco.

-Apoio a Alegre nas Presidenciais.

Decidido na VI Convenção, com muita ambiguidade. A oposição interna, perguntou ou afirmou se o apoio seria para Manuel Alegre e maioria respondeu; “Só contaram para vocês!”Foi uma resposta com a arrogância própria das,maiorias esmagadoras, quando na cabeça deles só pensavam nesse nome para apoiar.

Foi com a mesma arrogância que a maioria tratou a questão da Convenção Extraordinária!“Somos os donos da verdade”. Foi mais ou menos com esta postura que a maioria se colocou. Fecharam-se no argumento dos 10% de assinaturas para convocar a Convenção e daí não saíram.

- Quantos militantes votaram agora para a VII Convenção?1300 segundo li algures. São os que mostraram interesse pela vida do BE. Os proponentes da Convenção Extraordinária, entregaram mais de 300 assinaturas, a minha incluída.

- Os resultados de Alegre são conhecidos. Com todos os apoios teve menos 300.000 votos do que em 2006.

- O relatório da Mesa Nacional, sobre as eleições presidenciais à VII Convenção, foi de uma pobreza confrangedora.

CONCLUSÕES A TIRAR - Em 2016 vamos ter de eleger um novo presidente. Espero que o BE na próxima Convenção , não se precipite e defina já o seu posicionamento em definitivo, não deixando portas abertas para possíveis entendimentos, a uma possível candidatura abrangente das esquerdas.

2º - A MOÇÃO DE CENSURA

Penso que esta tomada de posição do BE, foi uma maneira de se colocar em bicos de pés, para além de tentar abafar as críticas sobre as presidenciais.

- Uma semana antes o BE disse que uma moção de censura, não tinha efeitos práticos. - O BE, fez o anúncio dessa moção para apresentá-la daí a um mês, quando na reunião da Mesa Nacional, uns dias antes não foi sequer debatida. Ou seja, foi uma tomada de posição sem ser discutida no seu órgão máximo de direcção entre Convenções. Falta de democracia nos órgãos de direcção.

- Na altura o BE foi muito badalado mas nem sempre pelas melhores razões, por que muita gente, eu incluído,não percebeu a estratégia do BE, uma vez que era certo e sabido que a moção não seria aprovada.

- O PCP, já tinha anunciado que iria discutir na reunião do seu CC dias depois a possibilidade de apresentar uma moção de censura.

Não é com atitudes destas que conseguiremos convergências pontuais, com aqueles que nos estão mais próximos.

3º - TROIKA

Eu não tive/não tenho posição quanto ao BE, ir ou não falar com a troika. Nas TV’s, todos os fazedores de opinião pública, diziam que os eleitores do BE não iriam perceber a posição do Bloco em não ir apresentar a sua opinião à troika.

Acho estranho é que dirigentes do BE, que há pouco mais de um mês eram contra, agora nos venham dizer que foi uma posição errada.

- Afinal onde estão as convicções desses dirigentes, que mudam de opinião com tanta facilidade!

- Ao contrário do que muitas vezes o BE nos quer fazer crer; A MUDANÇA ou o SOCIALISMO, não estão ali ao virar da esquina. Afinal as saídas que o BE apresentou aos eleitores, apenas foram aceites por menos de 6% dos votantes e quase metade dos eleitores ficaram em casa, a mandar os partidos e todos os políticos, para aquela parte…

Defendo que o debate/balanço deve prosseguir em todo BE e acabar numa Convenção, nos primeiros meses de 2012, para que se clarifiquem as posições e saber quem é quem, dentro do partido.

Como disse no fim do meu artigo para o deBatEs 2#, há muita coisa no BE que não me convence e por isso continuarei a ser um militante pouco convicto e céptico Q.B.

Sacavém, Junho de 2011