"É o fanatismo neoliberal que está a matar o euro", salientou a eurodeputada Marisa Matias no plenário do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, durante a discussão sobre o segundo dos seis pacotes sobre a "governação económica" na União Europeia.
Segundo a eurodeputada da Esquerda Unitária (GUE/NGL) eleita pelo Bloco de Esquerda, as propostas em discussão "confirmam a proibição de políticas contra a crise na Zona Euro e concretizam ainda a lógica do tratado orçamental".
Marisa Matias detectou nos documentos em discussão algumas "declarações de intenção", porém "tímidas" e a um ritmo tal que "tudo será demasiado pouco e demasiado tarde". Citou como exemplo "o roteiro para um dia se poder começar a pensar em formas de se definir uma possível legislação para a hipotética introdução de euro-obrigações" (eurobonds).
Quanto aos países "sob protecção legal", o mecanismo pretendido é tal que "exige-se aos Estados membros que honrem as suas dívidas mas retiram-se-lhes todos os instrumentos que lhes possam permitir crescer ou encontrar recursos para o fazer". A "única protecção legal" prevista nos documentos, salientou Marisa Matias, "é para os credores mas nem para eles é eficaz".
Isto significa, sintetizou a eurodeputada do Bloco de Esquerda, "conduzir os países à recessão, ao desemprego e à insolvência", como estamos a ver na Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha.