Muito se escreveu sobre Chipre. Quero acrescentar quatro notas incómodas para quem quer pensar alternativas viáveis e mobilizadoras à estupidez das instituições europeias.
Não é difícil perceber que a medida cipriota, mesmo que não seja concretizada, leva os grandes aforradores a rumar a novos paraísos fiscais mas muitos a escolherem o centro da Europa. É pois uma medida que fortalece e beneficia a banca alemã.
O PS e a UGT enfraquecem com a sua fraqueza a luta social. Das duas uma: ou enfrentam a ditadura da austeridade ou tornam-se definitivamente seus cúmplices.
Perante o dilema de votar no candidato do Partido Democrático à Presidência do Senado ou abster-se, levando à eleição de um berlusconiano acusado de corrupção, um conjunto de senadores do M5S infringiu a imposição de Beppe Grillo. Abriu-se uma crise no movimento.
Vítor Gaspar propõe mais de uma década de austeridade. O ministro que fala vagarosamente e erra depressa – três previsões em três meses e sempre a descer – propõe a ditadura do empobrecimento.
Quanto mais político, plural e amplo for o protesto, mais hipóteses temos de acabar com este Governo, antes que ele acabe connosco. A política inócua é um contrassenso.
Face a esta austeridade eterna, a resposta passa por lutas cada vez mais fortes, para que o governo e a troika vão prá rua. Por isso, propomos um Dia de Ação articulado ao nível Ibérico e se possível ao nível dos países do Sul da Europa.
O mês de Março traz consigo o dia do estudante e memórias de outrora, mas será que os estudantes do ensino superior sabem o porquê deste dia e toda a história que ele conta?
São as políticas de empobrecimento e humilhação - de que Juncker, Barroso, Merkel e o centrão europeu têm sido intérpretes primeiros - que nos estão a atirar de novo para as mãos dos demónios da guerra.
Mais do que saber se é do país A ou B, se anda de transportes públicos ou se é amante de futebol e de tango, importa saber se teremos um novo papa conservador ou reformista.