Ao fim de 12 horas de debate, os deputados argentinos aprovaram a lei que só entrará em vigor após luz verde do Senado.
"Marcamos um precedente para o resto da América Latina. Agora resta-nos convencer os senadores", declarou à imprensa María Rachid, líder da Federação Argentina de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais, que acompanhou os debates. A deputada Vilma Ibarra, citada pela agência EFE, destacou que essa reforma "outorga direitos a quem os tinha restritos" e "protege legalmente" as crianças adoptadas por homossexuais.
O debate dos deputados argentinos teve alguns pontos de semelhança com o português. María Rachid diz que "muitos dos deputados que apresentaram projectos alternativos são os que ainda há dias se recusavam a discutir as uniões civis". No entanto, ao contrário da lei portuguesa, o documento aprovado esta quinta-feira em Buenos Aires confere os mesmos direitos no casamento, incluindo o da candidatura à adopção.
A oposição da Conferência Episcopal a que a Argentina se torne o primeiro país a legalizar os casamentos entre pessoas do mesmo sexo não foi suficiente para evitar a aprovação da proposta por 125 votos contra 109 e 6 abstenções, com os principais partidos a darem liberdade de voto aos deputados.
O documento modifica o texto do Código Civil argentino, alterando a passagem que define casamento entre "homem e mulher" para "contraentes", o que anula as restrições para casais homossexuais.
A Argentina já se tinha tornado o primeiro país a celebrar casamentos entre casais homossexuais, com cinco casos registados desde Dezembro e envoltos em polémicas jurídicas. Outros 60 casais do mesmo sexo apresentaram recursos nos tribunais para conseguirem também o casamento, que pode agora estar mais próximo no caso do Senado confirmar a decisão dos deputados nos próximos dias.