Caçadores de baleias abalroam activistas na Antárctida

06 de janeiro 2010 - 18:10
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O trimarã Ady Gil não deve voltar a caçar os caçadores de baleias. Foto SSCSO habitual confronto entre a frota baleeira japonesa e os ambientalistas na Antárctida resultou na destruição de um dos barcos dos activistas.

 

O trimarã Ady Gil transportava seis ambientalistas da Sea Shepherd Conservation Society (SSCS) que procuravam evitar o avanço do baleeiro "Nisshin Maru". Mas acabou por ser perseguido pelo “Shonan Maru 2”, um barco contratado pelos armadores para garantir a segurança da frota japonesa face às investidas dos adversários da caça à baleia.



"Ao início pensámos que eles iam disparar canhões de água para nós e disse à minha tripulação para se proteger. Mas eles abalroaram-nos... Foi um milagre termos sobrevivido", disse o capitão do "Ady Gil" ao jornal neo-zelandês "The Age", relatando o embate entre o navio de mil toneladas com o seu barco de 18 toneladas. Os tripulantes do "Ady Gil" foram resgatados por outro barco da organização.

"Os baleeiros japoneses elevaram este conflito para um nível muito violento”, afirmou Paul Watson, líder da SSCS, organização que fundou após ter saído da Greenpeace por divergências quanto à estratégia de intervenção da ONG de que também foi fundador.



"Nós não somos uma organização de protesto... nós intervimos contra as actividades ilegais e para nós estes baleeiros japoneses são caçadores furtivos", disse Watson ao jornal inglês Guardian.  “Se eles pensam que os nossos dois navios que restam [“Bob Barker” e “Steve Irwin”] vão bater a retirada deste santuário para baleias, em face do seu extremismo, estão muito enganados”,acrescentou o responsável pelo protesto que partiu da Austrália há um mês. “Passámos a ter em mãos uma verdadeira guerra pelas baleias e não temos a mais pequena intenção de retirada”.



A SSCS ganhou grande projecção pública através da série de TV "Whale Wars", que acompanhou a campanha anti-baleeiros em 2008, e conseguiu ganhar o apoio de personalidades   que vão desde o Dalai Lama a Uma Thurman e Mick Jagger. Agora, Watson terá de recuperar o investimento de um milhão e meio de dólares no "Ady Gil" que ficou em estado irrecuperável.

Apesar desta caça proibida desde 1986 por uma moratória no âmbito da Comissão Baleeira Internacional, o Japão continua a matar as baleias, alegando fins científicos e prosseguindo estas expedições num local considerado como um santuário da espécie.







 

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