O 18 de Janeiro na Marinha Grande, 78 anos depois

18 de janeiro 2012 - 11:47
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Em reacção à Constituição que Salazar começou a preparar desde que chegou ao poder, em 5 de Julho de 1932, e que acabou por ser promulgada em Abril de 1933, à criação da polícia política (PVDE) e à legislação que neutralizou as organizações operárias, «fascizando» os sindicatos, gerou-se um amplo movimento operário que, depois de alguns acidentes de percurso, culminou na convocação de uma «greve geral revolucionária» para 18 de Janeiro de 1934.

Porque, na véspera, a PVDE prendeu alguns dos principais responsáveis e activistas, o impacto foi menor do que esperado. Apesar disso, em Lisboa, na noite de 17 explodiu uma bomba no Poço do Bispo e o caminho-de-ferro foi cortado em Xabregas e, em Coimbra, explodiram duas bombas na central eléctrica. Houve movimentações em diversos outros pontos do país (Leiria, Barreiro, Almada, Sines e Silves), sendo a mais significativa na Marinha Grande, onde grupos de operários ocuparam o posto da GNR e os edifícios da Câmara Municipal e dos CTT.

Mas a repressão foi forte e uma das suas consequências concretizou-se na decisão de criar uma colónia penal no Tarrafal, para onde acabaram por seguir, em 1936, muitos dos detidos do 18 de Janeiro. E onde nove acabaram por morrer.