As organizações promotoras desta acção de protesto reuniram com os organizadores do Queer Lisboa - Festival de Cinema Gay e Lésbico, não conseguindo convencê-los a devolver o apoio recebido, como têm feito outros festivais de cinema em vários países.
“A aceitação do patrocínio de um Estado de ocupação colonial visado pela campanha BDS – Boicote-Desinvestimento-Sanções - é uma atitude política que torna a direcção do festival cúmplice do 'apartheid' israelita”, dizem as diversas associações.
Entre estas encontram-se o Comité de Solidariedade com a Palestina, a UMAR - União Mulheres Alternativa e Resposta, o SOS Racismo, as Panteras Rosa - Frente de Combate à LesBiGayTransfobia, a Pobreza Zero - GCAP Portugal, a Audiência Portuguesa do Tribunal Mundial sobre o Iraque, o Colectivo Múmia Abu Jamal e a Ass. Amizade Portugal-Sahara Ocidental.
Ao tomar conhecimento deste facto, o realizador canadiano John Greyson, distinguido no festival do ano passado com o prémio do melhor documentário, retirou o seu novo filme da programação oficial. Este deveria ser exibido esta segunda-feira.
Greyson dirigiu uma carta a direcção do Festival de Cinema Queer Lisboa manifestando as suas “preocupações sobre o financiamento que o excelente festival Queer Lisboa recebe da Embaixada israelita” e referindo que “como sublinharam activistas queer, tanto palestinianos como portugueses, este financiamento viola o apelo de 2005 da sociedade civil palestiniana, que pede aos artistas e académicos para boicotarem o Estado israelita, em protesto contra a ocupação que prossegue”.
O realizador afirma que este tipo de financiamento por parte de Israel é como uma “cortina de fumo da 'normalização', a ilusão do 'business-as-usual', uma forma de intercâmbio cultural 'inocente'”, estratégia utilizada como forma de desviar as atenções da guerra em Gaza, do massacre israelita sobre a Flotilha da Liberdade e a construção de novos colonatos em território palestiniano.
Na sua carta, John Greyson lembra que Ken Loach também pediu ao Festival de Edimburgo que recusasse o financiamento de Israel, em 2007, quando soube que eles tinham aceitado 33 libras do consulado israelita. Esse Festival acabou por negar o apoio israelita e encontrou outras formas de financiamento.
Greyson faz também uma referência ao facto deste último ano ter sido “palco de uma notável vaga de solidariedade queer para com a Palestina”. Activistas queer como Judith Butler, Zackie Achmat, Sarah Shulman e Haneen Maikey pronunciaram-se, juntando as suas vozes às de grupos em Madrid, São Francisco, Toronto, Israel, na Margem Ocidental e agora em Lisboa.
A carta pode ser ler lida na íntegra aqui.