Afeganistão: atentados à bomba marcam eleições

18 de setembro 2010 - 18:41

Apenas 3,6 dos 9 milhões de eleitores votaram este sábado nas eleições legislativas. Durante a manhã ocorreram vários ataques violentos em assembleias de voto por todo o território, causando 14 mortes e mais de 50 feridos.

PARTILHAR
Apenas 3,6 dos 9 milhões de eleitores votaram este sábado no Afeganistão, para a eleição do parlamento. Foto LUSA/EPA/S. Sabawoon

No dia em que o Afeganistão elege, apenas pela segunda vez, o seu Parlamento por sufrágio universal, verificou-se uma participação de 40% do total dos eleitores. 3,6 dos 9 milhões de eleitores votaram este sábado no Afeganistão, anunciou o director da Comissão Eleitoral Afegã (IEC). As eleições gerais contaram com 2500 candidatos aos 249 lugares disponíveis no parlamento afegão.

A afluência às urnas é, de resto, muito pouco significativa, com os eleitores a revelarem enormes receios face aos ataques à bomba de homens armados e disparos de rockets assinalados em diversas províncias.

Pelo menos oito por cento das 5816 assembleias de voto permaneceram encerradas para este sufrágio, tido como um teste à credibilidade do Governo e das forças de segurança afegãs.

Segundo o Ministro afegão do Interior, Besmullah Mohammadi, 14 pessoas (onze civis e três polícias) foram mortos. "Três polícias foram assassinados e 13 ficaram feridos. Além disso, onze civis morreram e 45 ficaram feridos", declarou Mohammadi em conferência de imprensa em Cabul.

No mais grave dos ataques, suspeitos rebeldes talibãs mataram um soldado afegão e seis membros de uma milícia pró-Governo, num raide contra um posto de controlo junto a uma assembleia de voto na província de Baghlan.

Na capital, Cabul, um rocket atingiu a zona próxima à embaixada norte-americana e o quartel-general da NATO, bem no centro da cidade, três horas antes da abertura das assembleias de voto.

Os mais de 2500 candidatos sentiram de perto a violência crescente durante a campanha eleitoral. A Fundação para as Eleições Livres no Afeganistão (FEFA), principal grupo de observadores locais, contabilizou centenas de incidentes, quatro candidatos mortos e dezenas de outros forçados a desistir. Em muitas províncias, não houve comícios, apenas pequenas reuniões em casas particulares.

"Não podíamos ter pior altura para tentar conseguir um bom resultado", admitiu à AFP Staffan di Mistura, o alto-representante da ONU no Afeganistão, para quem a simples realização do escrutínio é "já um milagre".

As presidenciais de 2009 foram o dia com mais ataques dos últimos anos e a violência não parou de aumentar desde então. Na verdade, 2010 prepara-se para ser o ano com mais baixas civis e militares desde a queda dos talibãs.