“Um número político da agenda política do PSD”

02 de agosto 2010 - 16:33

O líder parlamentar do Bloco, José Manuel Pureza apelidou de “número político” do PSD a proposta, chumbada esta segunda-feira, de reunir a comissão permanente do Parlamento para discutir a execução orçamental.

PARTILHAR
Segundo José Manuel Pureza, o PSD queria, com este debate, "diferenciar-se do Governo e do PS para ganhar posição negocial na discussão do Orçamento que aí vem".

O pedido do PSD para a realização de um debate, com urgência, sobre a execução orçamental, foi esta segunda-feira inviabilizado, disse aos jornalistas o presidente do grupo parlamentar social democrata, Miguel Macedo, após a conferência de líderes. A esquerda parlamentar votou contra, enquanto o CDS-PP votou a favor, querendo alargar a discussão aos chumbos dos alunos.

O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, pedira uma reunião urgente da Comissão Permanente da Assembleia da República para debater o relatório de execução orçamental, que indicava, segundo afirmou, que “a despesa primária cresceu outra vez, de modo a pôr em causa os objectivos que estavam traçados para o final do ano".

Para o líder parlamentar do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, esteve somente em causa por parte do pedido dos sociais democratas “um número político, da agenda política do PSD para se mostrar diferenciado do Governo e do PS para ganhar posição negocial na discussão do Orçamento [do Estado] que aí vem”.

“É só isso que está em causa e a prova está que o PSD manifestou a possibilidade de o Governo estar presente ou não estar presente”, argumentou.

Também para o líder da bancada do PS, Francisco Assis, esta intenção do PSD era clara: “a consideração de que a presença do Governo era dispensável constitui a demonstração mais absoluta de que não se pretendia uma discussão séria, mas pretendia-se levar a cabo um número político de Verão”, disse, considerando também que os deputados não estavam “perante nenhum caso excepcional” que justificasse a reunião, cita a Lusa.

O deputado António Felipe do PCP referiu antes que “independentemente da agenda legítima que qualquer partido queira ter, não há justificação para esta reunião excepcional” da comissão permanente.