Mantém-se o acesso condicionado a Gaza

21 de junho 2010 - 12:29

Pressionado internacionalmente para acabar com o bloqueio a Gaza, Israel decidiu apenas pôr fim ao embargo de todos "os bens para uso civil", mantendo o bloqueio marítimo e obrigando todos os barcos com destino a Gaza a fazer escala nos seus portos.

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Com esta decisão, Benjamin Netanyahu voltou a cair nas boas graças dos EUA e será recebido por Obama já no próximo mês. Foto World Economic Forum/Flickr.

"A partir de hoje, há luz verde para que todos os bens possam entrar em Gaza, com excepção dos equipamentos militares e o material que possa reforçar a máquina de guerra do Hamas", declarou à AFP um alto responsável do governo de Israel.

De facto, a flexibilização do bloqueio prevê que todas as mercadorias civis que não estejam numa lista de produtos proibidos - armas, material militar ou equipamentos susceptíveis de serem utilizados com fins bélicos - possam entrar em na Faixa de Gaza, afirmou um comunicado oficial.

Israel autorizará a entrada de quantidades maiores de materiais de construção, mas somente para projectos aprovados pela Autoridade Palestina do presidente Mahmud Abbas, como escolas, centros médicos ou unidades de purificação de água.

As restrições são justificadas com a pretensão de impedir que o Hamas utilize o cimento para construir bunkers ou tubos para fabricar foguetes.

No entanto, mantendo o controlo sobre o território ocupado da Palestina, Israel continuará a obrigar todos os barcos com destino a Gaza a fazer uma escala no porto israelita de Ashdod para inspeccionar as suas cargas, mantendo-se assim o bloqueio naval.

O anúncio foi feito este domingo, depois de um encontro entre o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o enviado especial do Quarteto para o Oriente Médio (EUA, União Europeia, Rússia e ONU), Tony Blair.

A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, felicitou em comunicado a decisão de Israel, acrescentando o recado de que "a situação em Gaza é insuportável e o bloqueio, contraproducente, só alimenta a radicalização".

O porta-voz do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, considera as medidas insuficientes: "É necessário fazer de tudo para aliviar o sofrimento dos habitantes da Faixa de Gaza", comentou Nabil Abu Rudeina.

Na quinta-feira passada, o gabinete de segurança israelita tinha fixado as bases de uma flexibilização do bloqueio imposto há quatro anos contra Gaza. A decisão responde às várias pressões internacionais para aliviar o cerco imposto ao território palestiniano, após o ataque a uma frota de ajuda humanitária por parte do exército de Israel a 31 de Maio. Na operação violenta e desmedida, nove civis de nacionalidade turca morreram, o que provocou indignação e protestos em todo o mundo. A proposta da ONU de formar uma comissão internacional para investigar a morte em águas internacionais destes nove activistas que faziam parte da “Frota da Liberdade” foi entretanto rejeitada pelo governo de Israel.

No entanto, Washington anunciou que Netanyahu será recebido pelo presidente americano, Barack Obama, a 6 de Julho, o que demonstra que Israel já está a ganhar com a sua decisão.