Privatizações: Bloco pede contas ao governo

01 de abril 2010 - 16:51
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José Gusmão diz que os resultados líquidos do ano passado nas empresas lucrativas a privatizar é o dobro do que  governo quer poupar até 2013. Foto Paulete MatosO deputado José Gusmão quer que o governo mostre os estudos sobre os impactos das privatizações na economia e diz que o Bloco vai discuti-los "empresa a empresa".



Em conferência de imprensa esta sexta-feira na sede do Bloco, o deputado bloquista acusou o governo de estar a "mandar números para o ar e não entrar em detalhes sobre as consequências para o défice" do plano de privatizações proposto no Programa de Estabilidade e Crescimento, "sendo que a maior parte das empresas é lucrativa". "Não há estudo nenhum sobre o impacto nas contas públicas", afirmou José Gusmão.



Antes disso, o deputado lembrou que o Bloco foi o único partido a denunciar o "capítulo escondido" no programa do PS, onde a única referência, mesmo assim indirecta, a privatizações dizia respeito à ANA. "O capítulo escondido está agora à vista de todos", diz José Gusmão.



As empresas lucrativas que o governo quer privatizar tiveram resultados líquidos positivos no ano passado no valor de 350 milhões de euros, "que é mais do dobro do que o governo pretende poupar" privatizando-as a todas. "Quanto às empresas deste plano que dão prejuízo, a maior fatia pertence ao BPN e à TAP. Quanto ao primeiro, foi conhecida a oposição do Bloco à nacionalização decidida pelo governo. No caso da TAP, nada nos garante que o Estado não continue a financiar o serviço público nos voos entre o Continente e as Regições Autónomas e os PALOP".



José Gusmão referiu-se ainda à proposta de privatizado dos CTT e da ferrovia, lembrando as "experiências desastrosas" de medidas semelhantes noutros países europeus.



As perguntas dirigidas pelo grupo parlamentar do Bloco ao governo pretendem obter a informação até agora não revelada sobre os contornos das diferentes operações, como os estudos que as suportam, os prazos e condições, a garantia quanto à manutenção dos postos de trabalho e o impacto esperado no défice.