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Várias escolas em protesto contra falta de funcionários

A falta de trabalhadores não docentes nas escolas tem ocasionado protestos em várias escolas. Na Costa da Caparica, Almada, houve greve esta terça-feira. No concelho de Sintra será na quarta-feira. São João da Madeira, Penafiel e Lisboa são outros exemplos de uma contestação que atravessa o país.
Escola em greve.
Escola em greve. Foto Mário Cruz/Lusa.

Entre as sete horas da manhã desta terça-feira e as dez, as cinco escolas do Agrupamento da Costa de Caparica, em Almada, estiveram fechadas. Os trabalhadores não docentes fizeram greve porque queriam que o “grave” problema da falta de funcionários chegasse ao conhecimento do governo.

É isto que afirma à Lusa a dirigente do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul, Paula Bravo, que acrescenta: “as pessoas não são máquinas, são pessoas e têm limites", afirmou à Lusa Paula Bravo.

A dirigente sindical esclareceu que a falta destes trabalhadores afeta “toda a comunidade”. Talvez por isso, na concentração que os trabalhadores da Escola Secundária do Monte de Caparica, da Escola Básica 2,3 Costa de Caparica e das escolas primárias José Cardoso Pires, da Vila Nova de Caparica e da Costa de Caparica fizeram em frente a esta última, estiveram estudantes, professores e pais.

Os trabalhadores não docentes sentem que são “o elo mais fraco” e que isso se reflete “na sua saúde física e psicológica” e depois nas relações com os alunos, considerando que, nestas escolas, os trabalhadores atingiram um “ponto de rotura”.

O encerramento de serviços como as bibliotecas, centros de recursos, reprografias, papelarias e ginásios não diminui a sobrecarga destes trabalhadores que falam em “exaustão”.

Sintra: falta pessoal, escola degradadas

Na quarta-feira é a vez dos trabalhadores não docentes do concelho de Sintra protestarem. Queixam-se também que as escolas têm falta de pessoal não docente e, para além disso, estão degradadas.

No caso destes trabalhadores, representados pelo Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas do Sul e Regiões Autónomas, a sua concentração será em frente à Câmara Municipal uma vez que “desde há cerca de 10 anos que a CM de Sintra “gere” os trabalhadores não docentes, bem como as Escolas do Concelho” e “os resultados estão à vista”, escrevem em comunicado.

Agora que a CMS se prepara para passar a gerir os trabalhadores das nove escolas secundárias do concelho, os sindicalistas pensam ser a melhor ocasião para lembrar que a portaria de rácios de funcionários necessários por aluno é insuficiente e que “a Autarquia deve contratar acima da referida portaria, como única forma de poder dar resposta aos problemas existentes”.

Este sindicato considera ainda que “toda esta falta de investimento confirma que as autarquias não estão preparadas para gerir as escolas”.

São João da Madeira: a comunidade educativa por mais funcionários

Em São João da Madeira a comunidade educativa juntou-se para reclamar sobre o mesmo tema. Escola Básica e Secundária Oliveira Júnior têm 1400 alunos mas apenas 21 funcionários e só 17 deles estão ao serviço neste momento.

Por isso manifestaram-se esta terça-feira como já o tinham feito em maio passado. Também aqui se contesta o rácio de funcionários necessários. À Lusa, Paulo Pereira, membro do conselho geral deste agrupamento considera que esta proporção é “mal calculada e pouco lógica”, não sendo considerado que não há um edifício único mas três bloco numa área de 40.000 metros quadrados.

Também aqui os mesmos problemas se encontram: funcionários “extenuados tanto em termos físicos como emocionais” e “serviços escolares a funcionar apenas parcialmente devido à falta de pessoal”, pavilhões de Educação Física fechados por não haver funcionários, reprografias que quase não abrem, biblioteca a funcionar só com o professor responsável.

Penafiel: alunos com necessidades educativas especiais mereciam mais acompanhamento

Na passada sexta-feira, o mesmo cenário de contestação em Penafiel no Agrupamento de Escolas Joaquim Araújo, Penafiel.

O Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas do Norte estima que seriam precisos, pelo mais cinco ou seis funcionários numa escola que tem 550 alunos e 17 trabalhadores. Mas, sublinha o dirigente sindical, Orlando Gonçalves, há aqui 13 alunos com necessidades educativas especiais que deveriam ter um melhor acompanhamento.

O encerramento destas escolas em Penafiel estava previsto para durar duas horas. E o sindicato criticou a postura do coordenador do estabelecimento que insistiu em abrir as portas da escola e deixar entrar os alunos mesmo sem condições.

Vergílio Ferreira, faltam funcionários, falta segurança

Outro dos muitos exemplos de contestação foi o Agrupamento de Escolas Vergílio Ferreira, em Lisboa, que tinha fechado dia 18. Mais uma vez em causa a falta de funcionários. Aqui, a escola sede, a Secundária, tem 20 funcionários para 1200 alunos e a mesma falta de trabalhadores se sente em todas as sete escolas básicas e dois jardins-de-infância que também fazem parte deste agrupamento.

À TSF, o dirigente sindical Luís Esteves, do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas, deixou o mesmo tipo de relato. Há trabalhadores que dividem o seu horário entre escolas do agrupamento, há um bloco sem um único funcionário a partir das 16, na hora de almoço “não há ninguém na portaria”.

O dirigente sindical fala assim em “falta de segurança” na escola e “falta de cuidado para com as crianças e jovens”, estimando que seriam precisos, pelo menos, mais dez trabalhadores.

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