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Utentes bloquearam circulação na linha de Sintra contra supressões de comboios

Esta terça-feira vários passageiros bloquearam a circulação na estação da Amadora revoltados com a supressão de comboios. Em nome do Bloco, Isabel Pires questionou o governo e a concelhia de Sintra do partido diz que vai continuar a batalha “para responder a esta verdadeira crise de mobilidade”.
Comboio na linha de Sintra.
Comboio na linha de Sintra. Foto de Paulete Matos.

Começou como um protesto individual. Um passageiro decidiu bloquear o encerramento das portas de um comboio na estação da Amadora depois de mais um anúncio de supressão de comboios.

A seguir, vários outros juntaram-se a este protesto espontâneo que travou a circulação durante meia hora. O protesto durou até que a polícia acabou com a situação e o cidadão que o começou foi identificado pelas autoridades.

Os utentes da linha de Sintra têm vindo a queixar da supressão frequente de comboios. Cada comboio suprimido, para além de atrasar os passageiros implica carruagens cheias, desconforto acrescido e confusão, sobretudo na hora de ponta.

Ao Correio da Manhã, a CP admite que em outubro houve cerca de uma centena de comboios suprimidos. Isto quer dizer que, todos os dias, uma média de 3,3 das viagens programadas não são feitas.

Em declarações ao mesmo jornal, Sónia Caetano, explicou a situação: “o comboio que passa em Rio de Mouro às 7.55 voltou a ser suprimido, como tem sido frequente. É o suficiente para não passar comboio durante 20 minutos e provocar a confusão. Depois disso os comboios chegavam à Amadora já cheios e houve quem visse passar três comboios sem conseguir entrar.”

A seguir à iniciativa do utente que bloqueou as portas “eu e outras pessoas saímos do comboio para nos juntarmos ao protesto. O revisor dizia que aquela não era a forma certa de nos queixarmos, mas a verdade é que já fiz queixas formais e não deu resultado,” explica Sónia Caetano.

Bloco questiona governo sobre a linha de Sintra

Este caso foi o pretexto para o Bloco questionar o governo, por intermédio da deputada Isabel Pires, sobre “os relatos preocupantes acerca de atrasos, supressões, sobrelotação e falta de higiene e condições de refrigeração dos comboios da CP que servem a linha de Sintra”.

O partido considera que neste meio de transporte “não estão asseguradas condições mínimas de salubridade e conforto, sobretudo nas horas de ponta, mas também fora delas, no período noturno ou ao fim de semana”. Problemas que se têm “intensificado”.

Na pergunta endereçada ao Ministério das Infraestruturas e Habitação exemplificam-se vários casos. A maior parte dos comboios que vêm e vão para o Rossio “têm apenas metade das carruagens”, uma vez que os comboios de oito carruagens entre Sintra e Rossio passam apenas duas vezes por hora na hora de ponta e uma vez por hora fora deste período. Mas também é “comum” que comboios que deveriam ter oito carruagens tenham metade como por exemplo o comboio que parte de Sintra às 07:56 com destino a Alverca. Outro exemplo é o comboio que parte de Sintra às 07.46 e que tem sido suprimido, fazendo com que os utentes tenham de esperar 20 minutos “quando conseguem entrar no comboio seguinte, o que nem sempre acontece”, facto que “causa transtornos óbvios” e “faz com que o comboio esteja sobrelotado”.

Os bloquistas referem ainda a “incompreensão grande por parte dos utentes” sobre a manutenção dos horários de verão, apesar do número de passageiros ter aumentado e consideram que estas circunstâncias “provam que há já demasiado tempo que a CP não tem o material circulante necessário para manter um número de comboios adequado à intensidade do tráfego e de forma a prestar um serviço com regularidade, eficiência e conforto”.

A pergunta ao governo, nos seus considerandos, classifica aos condições de viagem como “suplício” o que tem como efeito “que as pessoas cheguem todos os dias aos seus locais de trabalho já num estado de cansaço e stress extremos, colocando ainda em causa a sua segurança e integridade” e, por outro lado, “desincentiva o uso de transportes públicos, fomentando o uso do transporte particular”.

A conclusão do Bloco é que deve haver um “reforço urgente do investimento público nos transportes”, questionado o governo sobre o seu grau de conhecimento e avaliação desta situação, sobre o que pretende este fazer a propósito da manutenção do “horário de verão” em outubro, sobre que medidas tenciona tomar para garantir a “oferta de um serviço público de transportes de qualidade na Linha de Sintra” e sobre quando considera “aprovar um plano de modernização e de renovação da frota dos comboios suburbanos na Área Metropolitana de Lisboa que permita ultrapassar as dificuldades de oferta do serviço público de transporte ferroviário”.

A paciência tem limites

O Bloco de Esquerda de Sintra comentou esta situação nas suas redes sociais dizendo que “a paciência tem limites” e lembrando que “há anos que o Bloco de Sintra vem denunciando a degradação dos serviços da linha de Sintra na Assembleia Municipal e nas freguesias”. Para além do trabalho local, os bloquistas lembram que “no Parlamento temos pressionado o governo para que sejam tomadas medidas para responder a esta verdadeira crise de mobilidade”. E prometem “contiuaremos esta batalha”.

 

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