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Urgência Pediátrica do Garcia de Orta: governo deve usar todos os meios para fixar médicos

Na manhã deste sábado houve protesto de utentes do Hospital Garcia de Orta contra mais um fim de semana de encerramento das urgências pediátricas por falta de médicos. Joana Mortágua instou o governo a “usar todos os meios ao seu dispor para conseguir fixar médicos”. A administração promete resolveu problema em seis meses.
Protesto contra o encerramento temporário das urgências pediátricos do Garcia de Orta. Almada, outubro de 2019.
Protesto contra o encerramento temporário das urgências pediátricos do Garcia de Orta. Almada, outubro de 2019. Foto de Bloco de Esquerda Almada.

Entre as 20.30 de sexta-feira e as 08.20 de segunda-feira, as portas da urgência pediátrica do Hospital Garcia de Orta, em Almada, estão encerradas. É a quarta vez só neste mês de outubro porque faltam médicos. O serviço perdeu 13 médicos no último ano e tem agora sete, dos quais apenas quatro podem, devido à idade, fazer trabalho noturno.

Foi esta situação que levou os utentes do hospital a marcar uma concentração junto a este serviço na manhã deste sábado em defesa do Serviço Nacional de Saúde e para manifestar as suas preocupações sobre a segurança das crianças que terão de ser assistidas noutras unidades de saúde em caso de emergência, uma perda de tempo que, consideram, pode ter consequências graves.

Para além dos utentes de Almada e Seixal, estiveram presentes dirigentes sindicais dos médicos e enfermeiros. O presidente da Federação Nacional dos Médicos, João Proença, declarou à Lusa que “é preciso criar atração aos médicos para dignificar a carreira médica, com novas medidas salariais para que as pessoas se motivem a trabalhar no SNS”. Sobre este serviço em particular considerou “um desastre enorme” a situação do que era “uma referência nacional” e que “tem vindo a destruir-se aos poucos ao ponto de ninguém querer vir trabalhar aqui no hospital”.

Zoraima Cruz Prado, dirigente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, à mesma agência, disse que a ministra da Saúde “tem que dar capacidades e dotar o SNS de meios para poderem fixar os trabalhadores”.

A deputada bloquista e vereadora em Almada, Joana Mortágua, também marcou presença. Declarou que o governo “deve utilizar todos os meios ao seu dispor para conseguir fixar médicos” e que “para não deixar fugir os médicos mais especializados para o privado é preciso que recebam salários que façam com que todo o seu investimento na sua carreira, toda a sua dedicação ao serviço público também compense”. Para Joana Mortágua, há um “problema de promiscuidade entre o público e o privado que tem de ser resolvido e que é um problema de investimento nas carreiras daqueles que exercem funções públicas”.

Depois do protesto dos utentes o presidente deste hospital informou, também à Lusa, que a urgência pediátrica deve normalizar “daqui a seis meses, no máximo, após os dois concursos que irão decorrer”. Até lá, considera, “é um risco evidente” que possa voltar a fechar.

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