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Turíngia: Vitória da esquerda ensombrada por avanço da AfD

Pela primeira vez na história da Alemanha reunificada, um partido à esquerda do SPD venceu uma eleição estadual. O Die Linke ultrapassou a CDU de Angela Merkel, também batida pela AfD com uma das suas vozes mais extremistas.
Bodo Ramelow festejou na noite eleitoral deste domingo. Foto Die Linke/Twitter

As eleições regionais deste domingo na Turíngia deram a vitória ao chefe do governo Bodo Ramelow e confirmaram a queda da CDU alemã. Esta deixa de ser o partido mais votado naquele estado, ao alcançar menos de 22% dos votos, uma perda de mais de onze pontos face à eleição de 2014. Mas para além do Die Linke — "A Esquerda", que era o segundo partido e governava o estado em coligação com SPD e Verdes —, o partido de Angela Merkel foi também ultrapassado pela extrema-direita da AfD, que passa de 10% para 23.4% dos votos e elege 22 deputados.

À exceção da AfD e do Die Linke, que vence a eleição e sobe de 28% para 31% dos votos, os restantes partidos parlamentares não tiveram razões para festejar: o SPD passou de 12.4% para 8.2% e os Verdes de 6.5% para 5.2%, passando por pouco a fasquia da representação parlamentar. Quem festejou o regresso ao parlamento foram os liberais do FDP, que alcançaram 5% dos votos depois de em 2014 terem caído para apenas 2.5%.

Com este resultado, a distribuição dos 88 lugares do parlamento da Turíngia já não garante a maioria apenas com os votos do Die Linke (que elege 29 deputados), SPD (8) e Verdes (5), sendo necessário o apoio do FDP (5) ou a abstenção dos liberais e de pelo menos mais dois dos 21 deputados da CDU.

O líder do Die Linke na Turíngia, Bodo Ramelow, disse na noite eleitoral que pretende continuar na liderança do governo regional da Turíngia e está pronto para formar governo “rapidamente”. E a tarefa de formar governo não deverá ser dificultada, pois todos os partidos recusaram acordos com a AfD.

O candidato da AfD foi Björn Höcke, um dos mais extremistas do partido, cujas declarações a minimizar o Holocausto são muitas vezes comparadas às dos políticos nazis. Na noite eleitoral deste domingo, Höcke prometeu que o seu partido vai ganhar com maioria absoluta as próximas eleições, apesar de se considerar a ele próprio como “a pessoa mais difamada da história da Alemanha”.

“Quem votou na AfD sabia exatamente o que estava a fazer. Com o seu voto, muitos eleitores apoiaram um partido que há anos com a sua banalização do regime nazi, o seu nacionalismo aberto e o seu ódio contra minorias, incluindo a comunidade judaica, prepara o terreno para a exclusão e a violência de extrema direita", afirmou à Deutsche Welle a ex-presidente do Conselho Central dos Judeus, Charlotte Knobloch.

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