A decisão foi tomada por unanimidade entre os cinco juízes que analisaram as providências cautelares interpostas pela família de Franco, pela Fundação Franco e pela comunidade beneditina do Vale dos Caídos, memorial construído no tempo da ditadura para homenagear os mortos nacionalistas da Guerra Civil, recorrendo a mão de obra forçada dos presos republicanos, e que se converteu em local de peregrinação dos nostálgicos do regime fascista.
O Supremo Tribunal considerou que terá de analisar e decidir primeiro sobre o fundo das questões jurídicas levantadas pelos queixosos e que só a suspensão da exumação evitará o prejuízo para estes, no caso de lhes vir a dar razão.
A retirada dos restos mortais de Francisco Franco da Basílica do Vale dos Caídos foi uma das primeiras decisões do governo PSOE quando tomou posse no ano passado. A data da exumação esteve anunciada para o verão de 2018 e foi sendo adiada sucessivamente, até que o governo de Pedro Sánchez anunciou a data de 10 de junho para a transferência dos restos mortais do ditador para o cemitério de Mingorrubio, uma localidade madrilena construída para alojar os militares da escolta do ditador, e onde está sepultada a esposa de Franco e vários ex-presidentes dos seus governos, como Carlos Arias Navarro ou Luis Carreiro Blanco.
O governo reagiu de imediato à decisão anunciada esta terça-feira, desvalorizando a suspensão cautelar por “nada indicar sobre o fundo da questão”. O governo espanhol está convencido que a estratégia de criar obstáculos legais à exumação do ditador não será bem sucedida e que a decisão agora anunciada apenas a irá adiar por mais uns meses. Enquanto isso, decorrem as obras no cemitério de Mingorrubio para que os restos do ditador sejam sepultados ao lado dos da sua esposa.