You are here

As “sardinhas” estão a encher as ruas de Itália contra a extrema-direita

Quatro amigos quiseram protestar contra a gabarolice de Salvini que inflaciona os números de presentes nos seus comícios. Convocaram um evento nas redes sociais em que surgia a brincadeira das “sardinhas em lata”. Milhares de pessoas responderam protestando com imagens de sardinhas contra “a política de ódio”.
Praça Maior em Bolonha. Manifestação contra a extrema-direita. Novembro de 2019.

Na passada quinta-feira, 15 mil pessoas ocuparam a Praça Maior em Bolonha, protestando contra Salvini. O líder de extrema-direita estava ao mesmo tempo num comício noutro ponto da cidade, no espaço Paladozza.
O protesto repetiu-se noutras cidades como em Modena onde 7 mil manifestantes se juntaram neste sábado.
E para a visita de Salvini a Rimini no domingo e a Florença no próximo dia 30 estão já previstas outras manifestações.
Todos estes manifestantes têm em comum o anti-fascismo e a imagem das sardinhas. Saíram às ruas em resposta a um apelo que se tornou viral de se manifestarem como sardinhas em lata.
À imagem da sardinha, juntou-se ainda um outro elemento bem mais tradicional: a canção anti-fascista Bella Ciao.
A convocatória inicial nasceu como resposta à alegação de Salvini de que, da última vez que estivera na cidade, teria enchido essa mesma praça com mais de cem mil apoiantes. O número real de pessoas presentes nesse comício teria sido no máximo de apenas 10 mil. Um grupo de quatro amigos decidiu fazer circular um apelo com o qual pretendiam superar a concentração da extrema-direita que aconteceria nesse mesmo dia num espaço com uma lotação de menos de seis mil pessoas. Apesar da chuva forte, a aposta foi amplamente ganha.

Agora, em várias das cidades para onde o líder da extrema-direita tem comícios marcados no âmbito da campanha eleitoral para as eleições regionais de Emilia-Romagna do próximo dia 26 de janeiro, a aposta declarada das convocatórias é que as “sardinhas” batam o número de apoiantes do partido A Liga, que concorre em aliança com a Forza Italia de Berlusconi e os Irmãos de Itália, um outro partido extremista de direita. Salvini que começou a campanha regional a dizer que “libertaria” a região da esquerda, respondeu ao seu estilo reduzindo o protesto a “imbecis dos centros sociais de esquerda” e que preferia “os negócios às sardinhas”, acrescentando que estes vivem dificuldades.

Termos relacionados Internacional
Comentários (1)