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Presidente do Kosovo acusado de crimes contra a humanidade

Hashim Thaçi demitiu-se do cargo para responder às acusações do Tribunal Especial para o Kosovo em Haia. Liderou na guerra contra a Sérvia o UÇK e está acusado de detenção ilegal, tortura e assassinato de civis e opositores.
Hashim Thaçi em 2017. Foto do Ministério Estónio dos Negócios Estrangeiros/Flickr.
Hashim Thaçi em 2017. Foto do Ministério Estónio dos Negócios Estrangeiros/Flickr.

Aos 52 anos, Hashim Thaçi tem uma carreira política longa. Presidente do Partido Democrático do Kosovo desde 1999, primeiro-ministro desde a independência (em 2008) até 2014, depois vice-primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros até 2016 e a partir daí presidente da República.

Mas esta história de sucesso político foi impulsionada por uma outra. Antes de 1999, Thaçi liderou o UÇK, Exército de Libertação do Kosovo, grupo que lutava pela separação da região da Sérvia e que era financiado pela Albânia. Nessa condição, e sobretudo durante a guerra de independência, tem sido acusado de várias atrocidades e da limpeza étnica dos sérvios da região.

A acusação foi entretanto formalizada pelo Tribunal Especial para o Kosovo em Haia a 26 de outubro. Como resultado, Hashim Thaçi abandonou a presidência da República para comparecer no julgamento. Na segunda-feira, será pela primeira vez presente ao juiz. No banco dos réus estão outros ex-dirigentes do grupo armado separatista albanês, Kadri Veseli, presidente do partido de Thaçi, Rexhep Selimi, deputado e Jakup Krasniqi. Salih Mustafa, ex-chefe dos serviços de Inteligência do exército kosovar, detido em setembro, também será julgado.

São ao todo 170 os crimes de que estão acusados: prisões ilegais, torturas, cerca de cem assassinatos, raptos. Trata-se de crimes contra centenas civis. As vítimas foram “sérvios, ciganos e Ashkalis , albaneses católicos e civis acusados de cooperar com as autoridades sérvias ou contactado com os sérvios (...) albaneses que apoiavam a Liga Democrática do Kosovo (LDK) do presidente Ibrahim Rugova ou que estavam filiados neste partido, e ainda outros partidos considerados como opositores do UÇK” diz a acusação.

De fora da acusação ficam outros crimes que são atribuído a Thaçi. Um relatório do Conselho da Europa de 2011 acusa o UÇK de tráfico de órgãos retirados das suas vítimas durante a guerra. Já para não falar nas notícias que iam ligando o grupo ao tráfico de heroína e cocaína para ocidente.

A Amnistia Internacional declarou que a acusação do ex-presidente dá esperança a milhares de vítimas que “esperaram mais de duas décadas para descobrir a verdade acerca dos crimes horríveis.”

A guerra do Kosovo ocorreu no final dos anos 1990. Causou cerca de 10.000 mortos e há ainda mais de 1.600 pessoas desaparecidas. A NATO bombardeou a Sérvia durante 78 dias e a guerra acabou com um acordo de autonomia ampla para o território. Depois o Kosovo declarou independência que não é reconhecida pela Sérvia.

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