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Operação policial no norte do Kosovo reacende tensões com a Sérvia

Esta terça-feira a polícia do Kosovo fez uma operação no norte do território, zona de maioria sérvia onde a população é hostil a Pristina. A Sérvia acusou o Kosovo de provocação e mobilizou tropas junto à fronteira.
Polícia anti-motim em Mitrovica, Kosovo, no ano de 2008. Foto de Black Iris/Wikimedia.
Polícia anti-motim em Mitrovica, Kosovo, no ano de 2008. Foto de Black Iris/Wikimedia.

Uma operação das forças policiais do Kosovo no norte do território, em zona de maioria sérvia, levou a Sérvia a colocar as suas tropas em alerta máximo, num novo episódio de tensão e escaramuças zona fronteiriça entre os dois países, informa a Associated Press.

O Kosovo é um território de maioria albanesa, mas o norte do Kosovo é uma zona de maioria sérvia, que constitui ali 90% da população. Nessa zona a população pretende fazer parte da Sérvia e é hostil ao poder de Pristina. Por essa razão, as autoridades policiais do Kosovo raramente fazem incursões na área, e quando o fazem são mal recebidas.

As tensões latentes neste contexto vieram de novo à tona quando as forças policiais do Kosovo fizeram esta terça-feira uma incursão na zona. A polícia do Kosovo declarou que fez uma operação contra grupos de crime organizado em que prendeu mais de 20 pessoas, entre elas 19 agentes policiais. Cinco agentes e seis civis terão ficado feridos. O primeiro-ministro kosovar Ramush Haradinaj afirmou no Facebook que a polícia tinha efetuado uma "operação anti-contrabando e crime organizado", e acrescentou que "quem estiver envolvido em atividades criminosas será preso". Procurou acalmar a situação ressalvando que a operação não tinha como alvo nenhuma nacionalidade específica e apelou à população sérvia para manter a calma e apoiar a polícia.

Mas as reações não se fizeram esperar. Do outro lado da fronteira, o presidente sérvio Aleksandar Vucic reagiu com veemência, acusando a polícia kosovar de "assaltar" com veículos armados a cidade de Mitrovica e várias aldeias na região, de disparar sobre a população, e de pretender intimidar a minoria sérvia no Kosovo. Vucic colocou as suas tropas na fronteira em "alerta de combate" para defender a população sérvia caso a situação se agravasse. Segundo a agência de notícias sérvia Tanjug, citada pela AP, houve tropas e veículos armados a sair dos quartéis e um caça Mig-29 a sobrevoar a fronteira do Kosovo a baixa altitude. Qualquer incursão de tropas sérvias no Kosovo arriscaria um confronto com as tropas da NATO estacionadas no território.

Algumas horas após a operação policial, a missão da ONU no Kosovo afirmou que contava dois membros seus entre os detidos que foram hospitalizados, um dos quais de nacionalidade russa. O presidente do Kosovo Hasim Thaci acusou o membro russo de usar o seu estatuto diplomático para entravar a operação. As autoridades russas exigiram a sua libertação imediata e acusaram o Kosovo de provocação.

Após a intervenção militar da NATO em 1999, o Kosovo ficou como território nominalmente independente sob proteção militar da NATO, cuja força KFOR (Kosovo Force) continua com cinco mil militares no terreno após duas décadas, alguns deles portugueses. A KFOR declarou estar a seguir a situação. O Kosovo declarou oficialmente a independência em 2008, reconhecida pelos EUA e uma centena de outros países. Outros países não reconhecem a independência, nomeadamente a Sérvia, a Rússia e a China. O conflito sobre o reconhecimento do Kosovo tem bloqueado a aproximação dos dois países à União Europeia, que ambos afirmam desejar.

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