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Peronista Fernández é o novo presidente da Argentina

Primárias de agosto já anunciavam o resultado destas eleições presidenciais. Macri sai derrotado numa eleição marcada pela crise económica no país.
Peronista Fernández é o novo presidente da Argentina
Foto: Alberto Fernández/Twitter.

A vitória era expectável, mas contados 95,88% dos votos é agora oficial: Alberto Fernández foi eleito presidente da Argentina. No seu discurso de vitória, encorajou o país a unir-se para fazer frente aos tempos que “não serão fáceis”, referindo-se à crise económica que dominou a campanha eleitoral. Fernández conquistou 48,01% dos votos e Mauricio Macri 40,45%.

O peronista da Frente de Todos informou que se irá reunir com Macri, atual presidente e derrotado nestas eleições, para discutir a transição política até 10 de dezembro, dia da tomada de posse.

“Sabem que até 10 de dezembro o Presidente é Macri. Iremos colaborar em tudo o que pudermos colaborar porque a única coisa que nos preocupa é que os argentinos deixem de sofrer de uma vez por todas”, declarou no seu discurso de reação.

Fernández aproveitou também para se dirigir a Macri pedindo-lhe que no futuro cargo na oposição “esteja ciente daquilo que deixou” e “ajude a reconstruir o país a partir das cinzas”.

“De agora em diante, tudo o que temos de fazer é cumprir as nossas promessas. Que os argentinos saibam que cada palavra que proferimos e cada compromisso que assumimos foi um compromisso moral e ético com o país que devemos cumprir”, afirmou, comprometendo-se a cumprir com as propostas eleitorais: reativação da economia e criação de emprego.

Em reação à derrota, Macri, atual Presidente, declarou ser necessária "uma transição pacífica que traga paz a todos os argentinos, porque o mais importante é o bem-estar de todos os argentinos".

Macri, principal aliado de Donald Trump e Jair Bolsonaro na América Latina, já tinha sofrido uma derrota face a Fernández nas eleições primárias de agosto – uma derrota que é também uma derrota das políticas ultraliberais no país. As eleições primárias existem na Argentina desde 2011 e são de participação obrigatória para os eleitores. As políticas de Macri levaram o país à bancarrota e ao maior empréstimo que o Fundo Monetário Internacional já concedeu. A Argentina é neste momento um país com uma elevadíssima taxa de pobreza: 35,4% da população, podendo atingir os 40% já no final deste ano.

Fernández, um professor de direito de 60 anos, conseguiu ultrapassar a meta de 45% dos votos, evitando assim a ida a uma segunda volta. Esta vitória marca também o regresso de Cristina Kirchner, ex presidente do país, que será agora vice-Presidente de Alberto Fernández.

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