You are here

"O futebol 'custe o que custar' é um futebol de vergonha", dizem claques em França

Enquanto clubes e liga discutem formas de retomar campeonatos, as claques francesas juntaram-se para dizer que a saúde vem primeiro e organizam-se em ações de solidariedade.

Poder-se-ia imaginar que os adeptos organizados fossem dos primeiros a exigir o regresso da sua paixão fosse como fosse. Em França, pelo menos, não está a ser assim. Cinquenta associações de adeptos de todo o país juntaram-se para “dizer não a um regresso prematuro do futebol”. Uma tomada de posição crítica das direções clubísticas e da liga francesa de futebol. "O futebol 'custe o que custar' é um futebol de vergonha, que não terá futuro nenhum", afirmam.

O comunicado, lançado esta segunda-feira, defende a primazia do “interesse coletivo” e a urgência de “esperar” por um recomeço que deverá ser feito “quando as condições sanitárias e sociais estejam reunidas”. Contra “as cabeças pensantes do futebol que disputam” pelo dinheiro mas estão "longe destas realidades duras, concretas, longe desta solidariedade capilar e anónima”.

E se o futebol pode esperar, essa solidariedade não. Por isso várias das claques passaram a mobilizar-se no apoio aos trabalhadores da saúde ou às pessoas que estão a viver dificuldades. O Libération dá-nos conta de algumas destas iniciativas. Os Indians Tolosa de Toulouse recolheram onze mil euros para os hospitais de Purpan e Rangueil. Os Ultramarines de Bordéus estão a fazer o mesmo nos hospitais da sua região como o de Blaye. Os South Winners de Marselha distribuíram três mil máscaras de proteção. E o Collectif Ultra Paris também anda pelos hospitais e pelos quartéis de bombeiros a prestar apoio. Isto porque, dizem no seu comunicado, “localmente, é tempo do coletivo”.

Para os signatários, o futebol atual é “estruturalmente, tempo de negócio”. Daí que critiquem a “brutal desumanidade”, a “brutal vaidade”, a “brutal cupidez”, a “insuportável indecência” que arrancou o futebol às suas raízes “não sendo capaz de ver mais além do que um exercício orçamental, uma janela de transferências ou um contrato plurianual de transmissão televisivo.”

Aqueles que querem retomar este negócio no meio “de uma população em sofrimento” “escolheram a indecência”. Mas os adeptos preferiam que se aproveitasse “este momento de pause e de confinamento para se repensar”, implicando “o conjunto das pessoas que fazem o futebol” e “começando pelo lugar onde se vive o futebol: o estádio”.

Termos relacionados Internacional
(...)