Novo Banco e BCP perderam quase 700 milhões de euros com a Ongoing

25 de June 2018 - 13:18

De acordo com o Público, a Ongoing criou um buraco de quase 700 milhões de euros nas contas do Novo Banco e do BCP. O valor é superior a 3% da riqueza produzida em Portugal em 2017 e resulta da incapacidade de se recuperar créditos.

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Fotografia: Nuno Vasconcelos/YouTube
Fotografia: Nuno Vasconcelos/YouTube

O valor resulta da incapacidade de recuperar créditos concedidos pelo então Banco Espírito Santo (BES) e pelo BCP à empresa liderada por Nuno Vasconcelos e Rafael Mora e de uma exposição das duas instituições à Ongoing que, no caso do BES (Novo Banco), chegou aos 493,5 milhões de euros e, no caso do BCP, chegou aos 292 milhões. Assim, atualmente, depois de já terem sido feitas penhoras sobre a Ongoing e depois de terem sido anulados juros sobre as dívidas, as perdas registadas chegam aos 440 milhões de euros no Novo Banco e aos 230 milhões no BCP, ou seja, a quase 670 milhões de euros, o equivalente a mais de 80% dos empréstimos que inicialmente foram concedidos.

De acordo com o Público, os créditos concedidos à Ongoing, em liquidação, foram utilizados para ajudar o BES a controlar a PT. Permitiram ainda abrir a porta do BCP à equipa de gestão chefiada por Carlos Santos Ferreira que vinha da CGD e que integrou António Ramalho e Vítor Fernandes, dois dos atuais administradores do Novo Banco.

Em 2014, quando o Grupo Espírito Santo caiu, ficou claro que havia várias empresas a circular na órbita do BES, tal como a Ongoing. Rafael Mora e Nuno Vasconcelos, para além de irem levantar fundos ao BES, punham o banco a garantir dívida contraída, como aconteceu em 2013, quando o Crédit Suisse reclamou 216 milhões de euros da Ongoing. Essa quantia estava caucionada pelo BES.

Em 2011, quando a PT deixou de distribuir dividendos e a Ongoing deixou de ter condições para renegociar as dívidas à banca, o BES e o BCP tiveram de enfrentar buracos, por terem concedido enormes montantes de crédito, e com má avaliação do risco. Assim, o grupo Ongoing acabou por chegar à exposição atual de 440 milhões, valor que representa mais de 55% dos 792 milhões de euros que os contribuintes injetaram no Novo Banco em março.

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