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Nova Iorque com duas marchas LGBT+ nos 50 anos dos motins de Stonewall

A par da tradicional marcha do orgulho NYC Pride, a cidade terá este ano também uma Marcha da Libertação Queer. A divisão deve-se a divergências sobre agenda política, comercialização e papel das empresas no ativismo LGBT.
Stonewall Inn, o bar que deu nome aos motins LGBT em Nova Iorque em 1969, num evento comemorativo em 2016. Foto: Rhododendrites/Wikimedia Commons.
Stonewall Inn, o bar que deu nome aos motins LGBT em Nova Iorque em 1969, num evento comemorativo em 2016. Foto: Rhododendrites/Wikimedia Commons.

No ano em que se cumpre o 50º aniversário dos motins de Stonewall, momento fundador na história do ativismo LGBT, Nova Iorque vai ter duas marchas de orgulho LGBT no próximo fim de semana, devido a divisões políticas sobre a comercialização e agenda política do evento.

Prevê-se que 150 mil pessoas marchem pelas ruas de Nova Iorque na Marcha do Orgulho (NYC Pride March), com outras centenas de milhares a assistir nas ruas. Mas esta separação entre manifestantes e população, com barreiras de segurança e vigilância da polícia é uma das razões para um grupo de ativistas organizar à parte uma Marcha da Libertação Queer.

Os organizadores da Marcha da Libertação Queer, reunidos sob a bandeira da Reclaim Pride Coalition, prometem um evento mais abertamente contestatário, contra a comercialização e acomodamento político que afirmam sufocar há anos a marcha oficial. Acusam esta de abandonar as suas raízes enquanto ato de libertação e resistência de minorias oprimidas para se tornar num evento dominado por empresas, que controlam os lugares mais visíveis do desfile e empurram os grupos ativistas de base para a cauda. Propõem em alternativa "uma marcha política do povo — sem faixas de empresas nem polícia". Em 1994, já tinha havido uma marcha alternativa ao Pride, na altura acusado pelos dissidentes de menorizar a crise do VIH.

Ann Northrop, uma das organizadoras da marcha alternativa, afirmou à Associated Press que "nas marchas originais, o que interessava era que qualquer pessoa podia entrar, podia sair do passeio e entrar na marcha, e toda a gente era bem vinda. Isso já não acontece". Charles King, da organização Housing Works dedicada ao VIH, afirmou também à AP que em marchas anteriores o seu grupo foi colocado tão atrás que já era noite escura quando terminou de desfilar, e questionou: "Isto é sobre o quê? É sobre a nossa libertação? Ou é só mais um evento comercial, como a parada do Dia de Ação de Graças da Macy's" (marcha organizada desde os anos 20 em Nova Iorque por uma cadeia de grandes armazéns). Os organizadores da Pride contrapõem que os patrocinadores são necessários para sustentar um evento que se tornou enorme, com um orçamento de 12 milhões de dólares, incluindo taxas obrigatórias a pagar à polícia.

Este domingo, 30 de junho, a marcha alternativa parte de manhã do Stonewall Inn, o bar onde tudo começou em 1969, e termina numa concentração no Central Park. Os organizadores contam com cerca de 10 mil pessoas. Por volta do meio-dia, arranca a marcha Pride, que também passará pelo Stonewall Inn e terminará no bairro de Chelsea, tendo ainda uma cerimónia de encerramento na Times Square. Para além das centenas de milhares de pessoas esperadas, conta com 677 grupos, que têm de se registar com meses de antecedência, entre eles patrocinadores como a T-Mobile, Mastercard ou a Delta Air Lines. Os horários permitem participar nas duas marchas a quem o deseje. Este ano Nova Iorque é também pela primeira vez o local do WorldPride, evento internacional LGBT associado aos interesses empresariais.

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