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Norte e sul de Moçambique vivem crise alimentar grave

A sul é a seca. A norte, em Cabo Delgado, é a violência de grupos armados. As colheitas estão ameaçadas em várias zonas de Moçambique. Segundo a Rede de Sistemas de Alerta Antecipado de Fome, estas regiões estão em crise alimentar. E só não é pior devido à ajuda humanitária.
Mulher moçambicana no meio da seca. Sul de Moçambique, 2016.
Mulher moçambicana no meio da seca. Sul de Moçambique, 2016. Foto de: International Federation of Red Cross and Red Crescent/Flickr.

A Fews, Rede de Sistemas de Alerta Antecipado de Fome, alerta para a insegurança alimentar em várias zonas de Moçambique. As regiões mais afetadas são o sul, nas províncias de Gaza e de Inhambane, e a zona costeira do norte de Cabo Delgado.

 

Dois culpados diferentes estão em causa. Se a sul o problema principal é a seca persistente que põe em causa as colheitas tradicionais, a norte há um aumento da violência de bandos armados que tem o mesmo efeito de outra forma: as populações fogem da violência, os campos ficam ao abandono e as colheitas ficam comprometidas.

Estas regiões estão no nível três de alerta num máximo de cinco, sendo a situação considerada de crise alimentar. No resto do país há zonas com um nível mais baixo, uma vez que ainda estão a recuperar dos ciclones de 2019. Sublinha-se que o preço do milho está entre 25% a 75% acima do ano passado o que causará problemas entre as famílias mais pobres.

A instituição alerta que a situação só não é pior uma vez que “a assistência alimentar humanitária impede que haja situações mais severas”.

Cabo Delgado: da promessa de desenvolvimento à violência

Em Cabo Delgado o problema não é meteorológico. À região foi até prometido um grande desenvolvimento económico na sequência da descoberta de reservas importantes de gás. A companhia norte-americana Anadarko foi a primeira, em 2010, seguindo-se-lhe a ENI italiana e depois quase todas as outras maiores empresas mundiais do setor.

Só que o desenvolvimento não chegou. Milhares de pessoas foram deslocadas ou perderam os seus campos de cultivo devido à construção de infraestruturas de apoio à exploração energética e outros milhares perderam acesso aos locais onde pescavam. Os empregos na exploração de gás não se concretizaram.

Pior do que isso, surgiram na região vários grupos armados que têm conduzido ataques e assassinado um número indeterminado de pessoas. As Nações Unidas falam em 100 mil deslocados na sequência destes ataques que têm sido reivindicados pelo Daesh mas cuja autoria é muito contestada.

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