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Jornalistas em manifestação pela liberdade de imprensa detidos na Rússia

A Human Rights Watch denunciou a detenção esta sexta-feira de dezenas de jornalistas na Rússia que protestavam contra a repressão do jornalismo. As autoridades invocaram medidas de saúde pública para fundamentar a detenção.
Autoridades russas detêm jornalistas em protesto. Fotografia de Yuri Kochetkov, EPA/Lusa
Autoridades russas detêm jornalistas em protesto. Fotografia de Yuri Kochetkov, EPA/Lusa

A Human Rights Watch denunciou a detenção esta sexta-feira de dezenas de jornalistas na Rússia que protestavam contra a repressão do jornalismo. Apesar do protesto respeitar as regras de prevenção e distanciamento social, a polícia justificou a detenção com as regras sobre assembleias públicas e de saúde, introduzidas na resposta à pandemia do Covid-19.  

“Os repórteres independentes na Rússia têm estado debaixo de ataque durante anos, com os recentes processos penais a elevar a repressão a um novo nível”, disse Damelya Aitkhozhina, investigadora russa da Human Rights Watch, em comunicado da organização, citada pela Agência Lusa.

Também a 3 de julho, as autoridades detiveram 17 pessoas - a maioria jornalistas - que protestavam frente ao edifício do Serviço Federal de Segurança em Moscovo numa manifestação contra a perseguição da jornalista Svetlana Prolopyeva. Ainda segundo a Agência Lusa, no dia seguinte, mais dois jornalistas foram detidos em Pskov, onde Prokopyeva estava a ser julgada com o Ministério Público a pedir uma pena de seis anos de prisão e uma proibição do exercício de jornalismo pelo período de quatro anos.

Segundo o observatório Committee to Protect Journalists, desde 1992, 58 jornalistas foram assassinados, 7 jornalistas foram setenciados com penas de prisão e outros 7 jornalistas estão desaparecidos.  

“As pessoas têm todos os motivos para protestar pacificamente contra a repressão, e as autoridades têm a obrigação de permitir que o façam em segurança. Em vez disso, detiveram manifestantes pacíficos ao abrigo de regras abusivas e restritivas do direito de reunião, a pretexto de proteger a saúde pública, expondo-os ao risco de infeção sob custódia”.

Também a 7 de julho, 28 jornalistas e ativistas foram detidos no mesmo local, desta vez contra as acusações de traição interpostas a Ivan Safronov, conselheiro da Roskosmos, a agência espacial russa, e antigo jornalista da Kommersant.

“Nos três incidentes, os manifestantes distanciaram-se uns dos outros, realizando o que é conhecido na Rússia como ‘piquetes de uma só pessoa'”, tendo sido recebidos “com uma presença policial esmagadora”, salientou a Human Rights Watch, citada pela Agência Lusa.

Em 3 de Julho, advogados dos manifestantes que foram levados para uma das duas esquadras de polícia não tiveram acesso aos seus clientes durante a primeira hora, e por ordem do chefe da esquadra, foram mantidos fora do edifício, denunciou a HRW.

De acordo com a organização não governamental, os advogados dos manifestantes não tiveram acesso aos seus clientes durante a primeira hora, conseguindo aceder apenas depois de membros da Comissão de Monitorização Pública, um organismo independente que fiscaliza as condições de detenção, ter decidido intervir.

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