Fome pode matar 1,4 milhões de crianças, alerta a UNICEF

29 de March 2017 - 17:02

A UNICEF chama a atenção para a necessidade de agir com urgência junto de 1,4 milhões de crianças da Nigéria, Somália, Sudão do Sul e Iémen que correm o risco de morrer devido a desnutrição.

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"A violência, a fome e a sede forçam as pessoas a deslocarem-se o que agrava a situação de fome", afirma Manuel Fontaine. Foto África 21
"A violência, a fome e a sede forçam as pessoas a deslocarem-se o que agrava a situação de fome", afirma Manuel Fontaine. Foto África 21

O Diretor de Emergências daquele organismo das Nações Unidas, Manuel Fontaine afirmou em comunicado que “as crianças não podem esperar outra declaração de fome para que tomemos medidas", e por essa razão deixou um apelo à ajuda internacional para dar resposta às necessidades mais urgentes das crianças daqueles países que estão assolados por secas e conflitos armados.

Aquele responsável da UNICEF fez ainda notar que “aprendemos com a [seca na] Somália de 2011 que, quando se declarou a fome, um número incalculável de crianças já tinha morrido”, tendo alertado que esta situação “pode voltar a acontecer".

Perante esta quadro devastador, a agência da ONU para a infância prevê que serão necessários mais de 81 milhões de dólares -74,5 milhões de euros - para o financiamento de programas de nutrição e fornecimento de alimentos terapêuticos, 53 milhões de dólares - 48,7 milhões de euros- que serão destinados a serviços de saúde, onde se incluem as vacinas, e ainda 47 milhões de dólares - 43,2 milhões de euros - para programas de água, saneamento e higiene com o objetivo de fazer a prevenção relacionada com doenças mortais.


“As crianças não podem esperar outra declaração de fome para que tomemos medidas". Foto Creative Commons
 

De acordo com Fontaine “à medida que a violência, a fome e a sede forçam as pessoas a deslocarem-se dentro e fora das fronteiras, as taxas de desnutrição continuarão a aumentar, não só nestes quatro países, mas também na bacia do lago Chade e no Corno de África".

Numa análise particular a cada um deste países, a UNICEF refere que no Iémen- que vive a maior crise de emergência alimentar do mundo com 7,3 milhões de pessoas a necessitar de ajuda neste momento – há registo da morte de uma criança por razões evitáveis a cada dez minutos, enquanto no nordeste da Nigéria, a agência das Nações Unidas pretende chegar durante este ano a 3,9 milhões de pessoas com serviços de atenção primária de saúde e também providenciar o tratamento de 220 mil crianças menores de cinco anos afetadas por desnutrição, além de proporcionar acesso a água potável a mais de um milhão de pessoas.

Por seu turno, no Sudão do Sul onde a UNICEF já presta assistência a 145 mil pessoas nas zonas afetadas ou ameaçadas pela fome, entre as quais 33 mil crianças menores de 5 anos, há quase cinco milhões de pessoas a necessitar desesperadamente de alimentos, enquanto na Somália , devido à inflação de preços dos alimentos, existem quase três milhões de pessoas a precisar de assistência sendo aproximadamente um milhão são crianças com menos de cinco anos que sofrem desnutrição grave.

Para acudir a esta situação, a UNICEF necessita no total de cerca de 255 milhões de dólares pois só desta forma conseguirá proporcionar a estas crianças serviços de alimentação, água, saúde, educação, proteção durante os próximos meses.