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Ferrovia em crise: apenas 9% do Ferrovia 2020 cumprido

Programa de modernização dos caminhos de ferro, anunciado pelo governo em 2016, está praticamente todo por cumprir, revela o jornal Público.
Fotografia de Paulete Matos
Fotografia de Paulete Matos

O Ferrovia 2020, programa do governo de modernização dos caminhos de ferro para o período 2017-2020, está praticamente todo por realizar, revela hoje o Público.

O programa, apresentado em 2016, previa 20 projetos de modernização. Mas a investigação verificou o andamento dos projetos e os resultados são lapidares: dos 20 projetos, seis já deviam ter terminado mas continuam as obras, dois deviam ter terminado e nem começaram as obras, 11 deviam ter começado e ainda não saíram do papel. Em 2700 milhões de euros orçamentados, só 158 milhões foram gastos — uma taxa de execução abaixo de 10%. Em 979 quilómetros de via para modernizar, só 166 o foram; em 214 quilómetros de via nova a construir, nenhum foi construído.

O projeto menos atrasado é a eletrificação da linha do Minho até Espanha, 93 quilómetros originalmente para concluir no ano passado, que se prevê concluir no final deste ano. Na linha do Douro, os 16 quilómetros entre Caíde e Marco de Canavezes, que deviam ter-se concluído em 2016, só começaram as obras recentemente. Daí até à Régua, troço que deveria concluir-se no próximo Verão, ainda não há concurso. Outros troços em execução mas atrasados: Covilhã-Guarda, que deveria ter terminado em Setembro passado, e Elvas-Espanha, que deveria terminar em Dezembro de 2017 mas na realidade só arrancou três meses depois desse prazo.

Quanto ao resto, tudo está atrasado e pode nem vir a arrancar. O corredor Sines-Badajoz, identificado por vários governos como estratégico para o país, deveria ter arrancado no início do ano passado e concluir-se até Setembro deste ano — ainda não foi adjudicado. A linha do Oeste, eternamente adiada, teve a última promessa o ano passado, quando o ministro Pedro Marques prometeu ter o concurso lançado até final de 2018 — ainda não foi lançado.

Face a este panorama desolador, vários projetos deverão transitar para o próximo Plano Nacional de Infraestruturas (PNI 2030). Este plano prevê um investimento de 22 mil milhões de euros para a próxima década, dos quais quatro para a ferrovia, particularmente na modernização da linha do Norte, para diminuir o tempo de viagem entre Lisboa e Porto para duas horas — outro objectivo eternamente adiado desde o fim dos anos 90.

Mas tendo em conta a experiência de décadas de negligência do setor ferroviário, muito terá de mudar. O fracasso anunciado do Ferrovia 2020, bem antes do seu fim, não é um acontecimento inédito. O plano que o antecedeu, o PETI 3+, também só foi executado em 20%.

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