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Facebook deu acesso a dados de utilizadores às grandes tecnológicas

Amazon, Microsoft, Netflix, Apple ou Spotify são algumas das empresas que beneficiaram do acesso aos dados de centenas de milhões de utilizadores do Facebook a cada mês, sem o seu consentimento.
Depois do escândalo da Cambridge Analytica, a dimensão da partilha de dados do Facebook sem consentimento dos utilizadores. é bem maior do que se suspeitava, revela o New York Times. Foto homedust.com

As gigantes de Sillicon Valley estão entre as cerca de 150 empresas que negociaram com o Facebook o acesso aos dados de utilizadores desta rede social, nalguns casos incluindo as mensagens pessoais. A dimensão da partilha de dados sem o consentimento expresso dos seus utilizadores é muito maior do que se suspeitava, revela o New York Times.

A investigação publicada esta quarta-feira diz que estes acordos eram prática corrente desde 2010. E continuaram a vigorar até este ano, bem depois dos escândalos à volta das quebras sucessivas da privacidade dos utilizadores do Facebook.

Na maioria destas parcerias entre o Facebook e as empresas, a plataforma liderada por Mark Zuckenberg não pediu o consentimento dos seus utilizadores para que as empresas tivessem acesso aos seus dados pessoais e à da sua rede de contactos.

Em comunicado, o Facebook diz que essa partilha de dados serviu para que os utilizadores pudessem integrar os seus serviços em aparelhos e plataformas e “terem mais experiências sociais - como verem as recomendações dos seus amigos do Facebook — noutras aplicações e sites populares”, como a Netflix, Pandora, Spotify… ou o próprio New York Times. Ao serem obrigados a fazer o login do Facebook dentro das aplicações ou sites das empresas parceiras, o Facebook entende que isso representa o consentimento para a partilha dos seus dados.

Procurador de Washington avança com acusação contra Facebook

Esta quarta-feira, o Procurador Geral da capital norte-americana anunciou uma acusação contra o Facebook por ter permitido que os utilizadores descarregassem uma aplicação da Cambridge Analytica que recolhia informação pessoal sem que alguém se apercebesse.

A recolha de dados da Cambridge Analytica serviu depois para manipular os debates eleitorais nos EUA e no referendo do Brexit. O escândalo vai acabar nos tribunais de Washington, com o Procurador a reclamar 5 mil dólares por cada um dos 340 mil residentes em Washington afetados pela recolha de dados, número que inclui os amigos dos 852 habitantes que fizeram o download da aplicação. Ou seja, só neste processo a empresa arrisca-se a pagar 1.700 milhões de dólares em multas por ter “permitido abusos como o que expôs os dados de quase metade dos residentes da região à manipulação com fins eleitorais na eleição de 2016”.

Após instalar a aplicação da Cambridge Analytica, o utilizador respondia a um questionário sobre a sua personalidade, enquanto a empresa acedia em segredo aos dados de todos os amigos do utilizador no Facebook. A empresa de Zuckerberg “demorou mais de dois anos a revelar isso aos seus consumidores”, aponta o comunicado do Procurador Karl A. Racine.

A acusação diz que o Facebook enganou os utilizadores acerca da segurança dos seus dados, não vigiou a utilização dos dados por parte de aplicações de entidades terceiras, dificultou o controlo por parte dos utilizadores das definições dessas aplicações e não se assegurou que os dados obtidos ilegalmente tinham sido apagados, optando por acreditar na palavra da Cambridge Analytica em como o teria feito. 

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