You are here

“É uma vergonha que Viseu não tenha um por cento sequer de oferta pública de habitação”

A cabeça de lista do Bloco à Câmara de Viseu, Manuela Antunes. quer ver asseguradas “soluções de habitação que regulem o mercado e baixem os preços”. O regresso da ferrovia a Viseu e o investimento em transportes públicos são outras das prioridades da candidatura.
Foto Esquerda.net

Esta terça-feira decorreu em Viseu um comício do Bloco de Esquerda que contou com a presença de Catarina Martins e José Manuel Pureza, das candidatas Carolina Gomes e Manuela Antunes e do candidato David Santos.

Manuela Antunes afirmou que “é uma vergonha que o concelho de Viseu não tenha um por cento sequer de oferta pública de habitação”.

A candidata quer ver garantido o direito à habitação, propondo a reabilitação do “edificado público subaproveitado ou devoluto e a recuperação de edificado privado de proprietários sem recursos”. E assim assegurar “soluções de habitação que regulem o mercado e baixem os preços” praticados atualmente.

“Queremos urgentemente requalificar os bairros sociais e repensar a habitação social no sentido de descentralizar e disseminar as respostas por todo o concelho”, continuou Manuela Antunes.

A candidata bloquista, que é a única mulher a disputar a presidência da Câmara de Viseu, foi perentória: “Não queremos assumidamente a empresa municipal Habisolvis, que não faz um trabalho sério e transparente na atribuição das casas de habitação social”, frisou.

Manuela Antunes enfatizou que as pessoas “merecem respeito e dignidade” e referiu-se especificamente à comunidade cigana, que tem aberto as portas das suas casas à candidatura do Bloco para que vejam “realmente como vivem”. Aumentar a oferta pública de habitação é uma prioridade incontornável para os bloquistas.

A candidata fez ainda referência a outras propostas para o concelho. Em causa está, por exemplo, incentivar o comércio local e tradicional, apostar nas feiras e mercados locais.

Manuela Antunes defendeu ainda a implementação da tarifa social da água, a criação de residências públicas de estudantes, de uma rede pública de berçário, creches e lares, o aumento dos apoios sociais “para contrariar todas as consequências da pandemia” de covid-19 e a promoção da “autonomia das pessoas mais velhas”.

O Bloco compromete-se também a continuar a bater-se pela defesa da saúde pública. A promoção de mecanismos de apoio ao domicílio, a descentralização das respostas de saúde pública, a construção do centro oncológico, a ampliação do serviço de urgência do hospital de Viseu e a urgente intervenção nos serviços de saúde mental são algumas das prioridades neste campo.

“Só com o regresso da ferrovia a Viseu estará ligado ao futuro”

Por sua vez, Carolina Gomes, candidata à Assembleia Municipal, destacou que “a ferrovia deve ser a espinha dorsal do transporte coletivo em Portugal”, defendendo a ligação ferroviária de Viseu a Aveiro e à linha da Beira Alta. 

“Só com o regresso da ferrovia Viseu estará ligado ao futuro”, frisou. 

De acordo com a candidata, “repensar a mobilidade e os transportes é essencial para garantir o futuro do concelho, a preservação do ambiente e combater as alterações climáticas, mas também para alcançar a justiça social”.

Carolina Gomes apontou ainda que “é fundamental trabalhar no sentido de uma oferta de transportes públicos para mobilidade dentro do concelho tendencialmente gratuita; melhorando a rede, com mais horários, incluindo noite e fim-de-semana”.

“Repensar a mobilidade é um dos caminhos estruturais para responder à crise climática, criada pelo atual modelo socioeconómico que, ao mesmo tempo que levou o planeta ao abismo, criou desigualdade social”, defendeu.

Além da mobilidade e dos transportes, e “apesar de Viseu ter o epíteto de “cidade jardim” muito ainda há a fazer no domínio ambiental”, alertou. Acabar com os herbicidas com glifosato, investir em profissionais do setor das florestas, proteger os cursos de água do concelho, nomeadamente do Pavia, alterar o PDM para proteção de recursos hídricos e florestais e utilizar fundos, como os da PAC, para reestruturação da floresta, tornando-a diversificada e resiliente, são algumas das propostas avançadas pela candidata.

Carolina Gomes enfatizou ainda que “o poder local tem uma grande responsabilidade na garantia do bem estar animal”.

A política faz de conta do PS em Mangualde

O comício de Viseu contou também com a presença do candidato à Câmara Municipal de Mangualde. 

David Santos afirmou que “quando se diz que o Bloco de Esquerda faz a diferença, não se está a falar de coisas abstratas”. “Só o Bloco tem a capacidade e a força política transformadora capaz de acolher a diversidade na cidade e a cidade na diversidade” e de "construir económica e socialmente um concelho para todos e todas”, vincou.

O candidato afirmou que “a imagem de marca do PS em Mangualde” não destoa do executivo nacional: é o governo “faz de conta”.

“Não podemos querer obter resultados diferentes votando igual”, sublinhou David Santos.

Governo da direita foi metralhadora que dizimou o interior

O deputado José Manuel Pureza invocou a imagem da metralhadora HK21, a que Rui Rio recorreu no dia anterior para criticar António Costa.

O líder do PSD "trouxe para a campanha eleitoral o seu conhecimento do mundo das armas", referiu Pureza.

"Aquilo lembrou-me a imagem que eu tinha do Governo do PSD relativamente ao interior. O Governo do PSD e do CDS, relativamente ao interior, foi uma verdadeira HK21, disparando contra todas as condições de vida no interior", salientou.

"O Governo carregava a fita e lá vai rajada sobre os hospitais e sobre os centros de saúde no interior. O Governo recarregava a fita e lá vai rajada sobre os tribunais no interior. O Governo voltava a carregar a fita e lá vai rajada sobre as escolas públicas", continuou o dirigente bloquista.

Pureza acrescentou que o líder do PSD "tem razão": "Esse Governo, que era uma HK21 contra o interior, tinha dois pés. Esses dois pés eram de um lado a troika e do outro lado o Presidente da República de então, Cavaco Silva”.

“Não se conhece um projeto autárquico do PSD para coisa nenhuma”

Catarina Martins acusou o líder do PS, António Costa, de usar esta campanha para prometer investimentos que sempre recusou fazer.

“Nesta campanha autárquica vejo António Costa prometer todos os dias fazer agora os investimentos que andou anos a recusar fazer e vejo o Partido Socialista e os seus candidatos a fazerem desta promessa o seu programa autárquico e a não dizerem nada de concreto sobre o que querem fazer em cada concelho e isso é tão triste, mas está à vista de todos”, criticou.

Já sobre o líder do PSD, a coordenadora do Bloco afirmou que tem visto “Rui Rio muito aborrecido com a campanha, a discutir o que é que vai fazer com a sua derrota eleitoral, que é algo que não diz nada a ninguém, a não ser ao próprio Rui Rio”.

Segundo Catarina Martins, “não se conhece um projeto autárquico do PSD para coisa nenhuma”.

“Aqui em Viseu, eu devo dizer que se calhar também não precisam muito que apresente o projeto. Nós ouvíamos Fernando Ruas em 2006 dizer para a população correr à pedrada os inspetores do ambiente e ouvimo-lo em 2021 a dizer que o que continua a fazer falta é betão e alcatrão”, ironizou.

“Nós ouvimos as pessoas por todo o país e é isso que vamos continuar a fazer e há este apelo que deixamos: àquela gente, àquela tanta gente que vem ter connosco e nos diz ‘eu sei que não se esquece de nós, eu sei que é o Bloco que luta por nós, eu sei que é o Bloco que tem estado ao nosso lado’, que saiba que a mudança que precisamos de fazer também se faz nas autarquias e que no domingo, o voto para essa mudança, pela habitação, pelo transporte, pela saúde, pelo ambiente, se faz votando no Bloco de Esquerda”, sublinhou.

Cada voto depositado no Bloco de Esquerda e cada mandato “vai fazer a diferença”, garantiu Catarina Martins.

Termos relacionados Autárquicas 2021, Política
(...)