Contra despedimentos, trabalhadores da Amazon fazem greve digital

20 de April 2020 - 16:52

No próximo dia 24, os trabalhadores dos armazéns norte-americanos do gigante da distribuição online irão participar numa reunião online de vinte e quatro horas. Para além dos despedimentos abusivos, criticam a gestão da crise sanitária.

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Trabalhadores da Amazon em ação pelo clima. Fonte AECJ/Twitter.
Trabalhadores da Amazon em ação pelo clima. Fonte AECJ/Twitter.

Duas das suas principais porta-vozes foram despedidas a semana passada. Mas o grupo “Empregados da Amazon pela Justiça Climática”, AECJ na sigla em inglês, não baixou os braços. Lança agora um apelo a uma greve para a próxima sexta-feira.

O grupo, que começou por querer mobilizar a empresa para as questões ambientais, tem-se destacado na defesa dos direitos dos trabalhadores e na crítica à forma como a Amazon gere a crise sanitária causada pela pandemia do novo coronavírus.

As suas reuniões online têm sido muito participadas. A da passada quinta-feira contou com cerca de 400 trabalhadores. Foi dela que surgiu proposta de uma ação de luta para dia 24 de abril. E aí também foram analisadas as condições de trabalho nos armazéns e centros logísticos que agora estão sobrecarregados de encomendas e se prepararam para receber 175 mil trabalhadores suplementares.

Os trabalhadores da Amazon queixam-se de falta de medidas sanitárias eficazes. O AECJ refere o caso de um trabalhador de Chicago que denunciou que, na sequência de terem sido infetadas com coronavírus duas pessoas no seu local de trabalho, a empresa não tomou as devidas medidas de proteção dos restantes trabalhadores.

Não sendo um sindicato, o que o grupo de ativistas está a pedir ao trabalhadores é uma forma de greve peculiar. Convidam-se todos a tirar um dia de baixa, “uma greve estilo-Covid” para participar num encontro online que é suposto durar o dia inteiro. Durante este, as duas funcionárias despedidas conversarão com quem quiser, haverá partilha de experiências sobre o que se passa nos diferentes locais de trabalho e haverá pequenos grupos de discussão sobre vários temas.

Maren Costa, uma das trabalhadoras despedidas, supostamente por ter violado os regulamentos internos, na prática por ser crítica das práticas da empresa, esclarece que a ação pretende sinalizar que estão “fartos de tudo isto, dos despedimentos, das tentativas de nos reduzir ao silêncio, da poluição, do racismo e da desregulação climática”.

Os trabalhadores acusam ainda a Amazon de “tentar censurar” o grupo por ter apagado do e-mail e do calendário de eventos de “milhares” de pessoas o convite, enviado a 10 de abril, para a reunião da semana passada que contou ainda com a participação da ativista Naomi Klein. Entretanto, mais de 1500 pessoas tinham já aceite o convite do AECJ. Aliás, a organização lembra que foi poucas horas depois disto que Emily Cunningham e Maren Costa foram despedidas.

Agora, exige-se que todos os trabalhadores que tenham sido despedidos com base nas suas posturas críticas sejam readmitidos, que acabem as “punições” aos trabalhadores que tomem posição sobre assuntos “com impacto direto na saúde e segurança de trabalhadores e consumidores, incluindo as condições de trabalho durante a pandemia, a crise climática e a poluição”, que haja transparência e direito de defesa em casos de processos disciplinares, que se reforcem medidas para combater a pandemia e se tornem permanentes os melhoramentos temporários implementados, que se suspendam entregas de bens não essenciais, que se aumentem salários e haja baixas médicas pagas para todos, que haja compromisso sérios para com a justiça climática.

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