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Aumento do recurso a médicos tarefeiros prova necessidade de "mais contratações e menos anúncios”

Despesa do SNS em prestações de serviço médico aumentou 7,6% entre janeiro e agosto, face ao mesmo período de 2019. Moisés Ferreira diz que é uma das consequências da perda de médicos durante a pandemia e insiste que é preciso vincular profissionais ao serviço público.
Foto de Paulete Matos.

Segundo os dados da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), divulgados pelo jornal Público, “entre Janeiro e Agosto de 2020 foram contratadas 2.778.083 horas, representando uma despesa de 83.134.990 euros”. Ou seja, mais 3,8% em número de horas e 7,6% em despesa face a 2019. Comparando com 2018, o acréscimo é de 16,7% e 24,1%, respetivamente. No total, em 2019, o erário público gastou 118,8 milhões de euros em prestações de serviço médico, uma subida de 14 milhões face a 2018.

Nos primeiros oito meses deste ano, o Serviço Nacional de Saúde (SNS) gastou cerca de 83 milhões de euros em prestações de serviço, um acréscimo de 7,6% em comparação com o mesmo período do ano passado. Reduzir o recurso aos chamados “médicos tarefeiros” é um objetivo assumido pelo Governo, mas não o tem conseguido concretizar. Em 2019, o SNS gastou 118,8 milhões de euros em prestações de serviço médico, mais 14 milhões do que no ano anterior.

Em declarações ao jornal diário, a ACSS reconhece que, “apesar do aumento global de médicos especialistas no SNS”, as regras da urgência relativas aos recursos humanos levam a que “as unidades de saúde tenham de recorrer a outros mecanismos legais para garantir o cumprimento de escalas e, consequentemente, a prestação de cuidados às populações”.

Os dados divulgados mostram que a despesa foi mais elevada no Centro Hospitalar e Universitário do Algarve, 8 milhões de euros por 222.787 horas. Na lista segue-se o Centro Hospitalar Médio Tejo (5,2 milhões de euros por 148.832 horas), o Centro Hospitalar do Oeste (4,4 milhões de euros por 139.004 horas) e a Unidade Local de Saúde Norte Alentejano (3,7 milhões de euros por 112.955 horas).

No que respeita aos valores gastos em horas extraordinárias pagas a médicos do quadro, o Público cita dados do Portal do SNS em julho, que apontam para um aumento de cerca de 1,163 milhões de horas extraordinárias em comparação com o período homólogo.

“Aumento do recurso a tarefeiros é uma das consequências da perda de médicos" durante a pandemia

Em declarações ao Esquerda.net, Moisés Ferreira afirmou que, tal como o Bloco de Esquerda já tinha alertado, o SNS perdeu médicos durante a pandemia, e que “o aumento do recurso a tarefeiros é uma das consequências dessa perda de médicos”.

Segundo o deputado, os números agora divulgados mostram que “são necessárias mais contratações e menos anúncios”.

“É que o SNS não se faz com menos médicos e com menos profissionais vinculados de forma permanente ao serviço público”, rematou.

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