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Amnistia denuncia “massacre” na Etiópia

O Primeiro-ministro etíope nomeou o novo líder da região de Tigré, Mulu Nega, enquanto a Amnistia Internacional denuncia a morte de muitos civis no conflito, que qualifica de “massacre”.
Amnistia denuncia “massacre” na Etiópia
Fotografia de deolhonofront/Twitter.

Debretsion Gebremichael, presidente da região etíope de Tigré, foi afastado do cargo pelo Parlamento do país na sequência de uma investigação que culminou com um mandato de prisão.

Gebremichael, líder da Frente de Libertação do Povo Tigré (FLPT), a par de outros membros do partido, é acusado de pôr em causa "a existência da Etiópia" e “tentar apagar a constituição”, ao mesmo tempo que o acusam de orquestrar o ataque a duas bases militares. Ao ser afastado do cargo, o político perde a imunidade parlamentar. Apesar de corresponderem a menos de 6% da população, os tigrés dominaram o Estado etíope durante quase trinta anos, tendo abandonado o poder quando Abiy Ahmed, atual primeiro-ministro, foi eleito em 2018.

Ao subir ao poder, Abiy, vencedor do prémio Nobel da Paz em 2019 e membro da etnia omoro, tentou equilibrar a correlação de forças no país, o que não foi visto com bons olhos pelos tigrés.

Há largos meses que a tensão entre Abiy Ahmed e a FLPT vem aumentando. Tudo piorou quando o partido avançou com eleições na região no passado mês de setembro, acusando Abiy Ahmed de ser um líder ilegítimo.

Esta tensão saiu do parlamento e espalhou-se nas ruas de Tigré, com confrontos que causaram a morte de dezenas de civis. Após um alegado ataque a bases militares, que a FLPT nega, o primeiro ministro ordenou o início de operações militares na região. Segundo a Al Jazeera, testemunhas no local responsabilizam o partido no poder no país pela violência contra aqueles que apoiam o governo de Tigré.

De acordo com um comunicado da Amnistia Internacional, a associação “confirma que dezenas, provavelmente centenas, de pessoas foram esfaqueadas ou golpeadas até à morte na cidade de Mai-Kadra, a sudoeste da região de Tigré, na noite de 9 de novembro”.

A Amnistia “verificou digitalmente fotografias e vídeos horríveis de corpos espalhados pela cidade ou sendo carregados em macas”. Os mortos “tinham feridas abertas que parecem ter sido infligidas por armas afiadas, como facas e facões”.

“As vítimas aparentavam ser civis, trabalhadores que não estavam de forma alguma envolvidos na ofensiva militar a ter lugar na região”, disse à Al Jazeera um representante local da Amnistia.

Segundo testemunhas, o ataque foi feito por forças associadas à FLPT depois de sofrer uma derrota contra os militares do país, mas a Amnistia afirma que não conseguiu confirmar essas informações.

Numa comunicação oficial na conta do primeiro-ministro, "a área do Tigré ocidental foi libertada. O exército está a prestar ajuda humanitária nesta área". A região continua com as comunicações bloqueadas.

A FLPT é um dos quatro partidos regionais que correspondem às tribos mais influentes na Etiópia. Responsável pelo governo desta região do Norte do país, há muito que estava em rota de colisão com o Executivo federal. Terão cerca de 250 mil combatentes, para além de contar com um significativo apoio dos cerca de seis milhões de tigrés.

Nas últimas semanas, milhares de etíopes têm escapado para o Sudão com receios de que tenha início uma guerra civil no segundo país africano com maior densidade populacional.

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