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O que nos move, ou uma pequena história do Desobedoc

O Desobedoc volta ao lugar onde tudo começou em 2014: o Cinema Trindade, no Porto. Neste artigo, José Soeiro recorda como nasceu a ideia de uma mostra de cinema insubmisso e o caminho que fez nestes oito anos.
Entrada para a primeira edição do Desobedoc em 2014. Foto Desobedoc/Facebook

Foi em 2014, num país devastado pela troika, em que não existia Ministério da Cultura e onde as direitas estavam no governo e à frente dos destinos da cidade, que o Bloco decidiu fazer pela primeira vez o Desobedoc. Exigiu alguma ousadia a ideia de realizar uma mostra de cinema insubmisso, num Porto ao qual os equipamentos culturais haviam sido sucessivamente subtraídos durante os 12 anos de Rui Rio, com os cinemas independentes encerrados e onde os efeitos da austeridade se faziam sentir severamente. Era, na realidade, um gesto duplamente improvável. Primeiro porque se tratava de mostrar pela prática, e não apenas através do discurso ou da luta por um programa, que era possível um outro modo de fazer cidade. Em segundo lugar, porque desafiava a ideia de que a ação dos partidos se esgota na estrita esfera do que se convencionou considerar como “atividade política”, entendida de modo afunilado. Ao metermos pés ao caminho para construir uma mostra de cinema, programada e desenvolvida em coletivo, quisemos afirmar que a intervenção política é também a abertura de lugares de experimentação e de espaços críticos de memória, de imaginação e de debate, capazes de prefigurar, ainda que temporariamente, o tipo de cidade que queremos.

Talvez uma iniciativa com estas características só pudesse ter nascido no Porto. A história do cinema português passa obrigatoriamente por aqui. Foi no Porto que se começou a fazer cinema e que se levou a cabo, nos anos 20 do mesmo século, a primeira experiência de uma produção de escala semelhante à de alguns dos principais estúdios europeus da época, com a Invicta Filmes. No Porto nasceram, no século passado, salas de cinema que viriam a constituir-se como parte indispensável do património e do imaginário da cidade. Durante o fascismo, também no Porto se consolidou um espírito rebelde e desobediente, em que os cineclubes se constituíram como lugares de resistência ao Estado Novo. O Desobedoc pretendeu retomar e celebrar esse espírito.
Abrir, ainda que por três dias, uma sala de cinema fechada há mais de uma década foi também um ato de resistência concreta. A escolha do Cinema Trindade não foi um acaso. Cinema histórico inaugurado em 1913 como “Salão Jardim da Trindade”, remodelado em 1957 como “Cinema Trindade”, intervencionado no início dos anos 90 do século XX (quando nasceu a sala de bingo e se conformaram as duas salas de cinema com as dimensões atuais), encontrava-se encerrado ao público desde o ano 2000, num processo que não pode ser desligado do declínio do centro histórico e do processo de financeirização e especulação que ali se instalou.

Mas o primeiro Desobedoc não se limitou a reocupar, durante alguns dias e em modo “entrada livre”, este cinema abandonado. Além dos filmes e documentários sobre a resistência anti-fascista, a guerra e a revolução, que encheram as duas salas do Trindade, abrimos também, para uma sessão internacionalista, a sala principal do Cinema Batalha, igualmente encerrado ao público. No final dessa experiência, tínhamos duas certezas: havia público disponível e ávido de cinema no Porto e o Desobedoc não poderia ficar-se por uma única edição.

2015, ainda o Trindade

Em 2015, cometemos o mesmo gesto. Num Porto que todos os dias perdia população, reabrir o Cinema Trindade, entre o 25 de abril e o primeiro de maio, era um ato de resistência necessário, num ano em que queríamos celebrar as quatro décadas do processo revolucionário e resgatar a memória das múltiplas iniciativas de auto-organização popular que então aconteceram. Pouco antes do Desobedoc ter início, a 2 de abril, o Porto perdia uma das referências mais marcantes e heterodoxas do seu cinema: Manoel de Oliveira. Por isso, quando abrimos as portas, o primeiro filme que mostrámos prestou-lhe homenagem. A película veio do arquivo da Cinemateca para ser exibido no Trindade. Na véspera do 25 de abril, começámos a programação com “A Caça”, uma curta de Oliveira visada pela censura. Intuindo o poder da metáfora, e como se lhes parecesse que poderiam proteger o regime em vias de se afundar, o Secretariado Nacional de Informação exigiu então a Manoel de Oliveira que alterasse o final do filme: o homem da mão amputada e o jovem que se afunda no pântano teriam de ter um final feliz. Na sessão de abertura, contámos com a presença de quem conhecia bem esta e outras histórias: Adelaide Teixeira, António Preto e Alexandre Alves Costa, que participara na rodagem do filme nos anos 60.

2016 e 2017: quando o Desobedoc foi no Batalha

Em 2016, o país começara a mudar um pouco, respirando de alívio com o fim do Governo das direitas e expectante com a solução política que se ensaiava. O Desobedoc também deu um salto. Estando anunciado que o Trindade - que se provara que podia ter público -  iria finalmente reabrir no ano seguinte, decidimos “ir no Batalha”, também ele portador de uma história de resistência. Do arrojado painel de baixo-relevo na fachada, da autoria de Américo Soares Braga, a PIDE retirou o martelo na mão da figura operária, por ser considerado subversivo (martelo que agora será reposto, com a reabilitação). E os puxadores das portas, com um “CB” de “Cinema Batalha”, foram eliminados pelas paranóicas cabeças do regime fascista, por poderem ser as iniciais de “Comité Bolchevique”.

A cidade do Porto, que já então, em 2016, se engalanava para os turistas mas que continuava a expulsar os mais pobres do centro, mantinha esta sala histórica votada ao abandono. O Desobedoc foi capaz de reabri-la nesse ano durante três dias. Limpámos o espaço, subimos à fachada para colocar uma grande tela, instalámos exposições, ocupámos o edifício com uma programação intensa de cinema, de conversas e de exposições. Abrimos o terraço - só acessível por umas exíguas escadas de serviço - a todo o público da cidade, creio que pela primeira vez.

O Batalha encheu. Emocionámo-nos com os filmes - clássicos e contemporâneos - e com um edifício tão simbólico novamente habitado. Quisemos dar força a uma velha aspiração da cidade e a um movimento amplo pela reabertura definitiva do Batalha. Propusemos, no Parlamento e na autarquia, que ele fosse reabilitado e tornado equipamento público. Antes da mostra, realizámos uma visita guiada (aberta ao público) ao edifício e à sua história cultural e política, conduzida pelo Alexandre Alves Costa.

Nesse ano, demos ainda outros saltos. Pela primeira vez, criámos um espaço destinado principalmente às crianças - o Desobedoquinho. E fizemos as nossas primeiras extensões, em Torres Vedras e em Viseu.

Depois disto tudo, ganhámos o gosto. Em 2017, quando avançámos para a quarta edição do Desobedoc, já o Trindade funcionava em pleno desde fevereiro, com duas salas e oito sessões diárias, tendo como responsável e entusiástico motor o Américo Santos, fundador da Nitrato Filmes e diretor do festival de cinema luso-brasileiro de Santa Maria da Feira. O movimento pela reabertura do Batalha, no qual nos empenhámos intensamente, tinha também conquistado expressão. Pressionada por essa mobilização da cidade, a autarquia tinha feito já os primeiros contactos com a família proprietária para estabelecer as condições de cedência e aluguer do edifício e convidara Alexandre Alves Costa a fazer o projeto de reabilitação. Com ele e muitos outros, também presentes desde o primeiro momento no Desobedoc, lançámos o debate  “O que queremos para o Batalha?”. E foi de novo no Batalha, ainda fechado mas que a cidade conseguira tirar do esquecimento dos poderes públicos, que fizemos mais um Desobedoc, num espaço preenchido com as pancartas e os cartazes do PAM e do Sama, em modo de celebração do cinema e da beleza da luta. Na programação, muitos documentários sobre a precariedade global, os movimentos sociais, uma homenagem a Ken Loach, aos 100 anos da Revolução de Outubro (com um inesquecível cine-concerto da Ana Deus e do Luca Argel), e também as crónicas da esperança que vinham de cidades com novas experiências de poder cidadão, como Barcelona. Foi ainda um ano de crescimento territorial - extensões do Desobedoc tiveram lugar em Torres Vedras, Coimbra, Joane e Viseu.

Outros territórios, outros cinemas

Com o Batalha em obras e o Trindade aberto, fomos em busca de outros cinemas por abrir, também fora do Porto. Em 2018, concentrámos todos os esforços e recursos disponíveis para multiplicar e deixar sementes noutras cidades. Fizemos o Desobedoc em Vila Real, em Braga, em Coimbra, em Évora, com uma programação extensa que chegou a centenas de pessoas. E, à imagem do seu gesto inicial, também em Viseu reabrimos um cinema encerrado, o Ícaro, procurando dar corpo e alento a um movimento local por uma nova vida para aquele equipamento. Mesmo pequeno se comparado com as outras salas que aquela cidade viu desaparecer, o Ícaro era um símbolo Na verdade o único ainda vivo, representativo desse tempo passado. Ao fazer ali uma mostra de cinco dias, quisemos demonstrar que ele poderia ter uma nova vida através de uma programação eclética e fora do circuito dos blockbusters, capaz de acolher outros festivais, mostras e eventos variados de natureza cultural, capaz de colmatar a falta de oferta e de ser lugar de novas formas de olhar, de pensar e de fazer em conjunto. E assim foi.

De volta ao Porto

Missão cumprida? Ainda não. Em 2019 voltámos ao Porto e o Desobedoc foi acolhido por uma velha instituição da cidade, das poucas que resistiu à transformação do Porto num imenso hotel, que manteve velhos sócios e acolheu novos, que se reinventou misturando experiências e gerações: o CCOP. Com 120 anos de idade, foi o primeiro Círculo Católico Operário do país, nascido em 1898 para lutar por salários justos e pelo descanso ao domingo. Ali, durante décadas, a classe operária da Invicta procurou escapar à escravidão do trabalho assalariado, roubando horas à família e ao sono para fazer jogos e jornais, canções e panfletos, teatro e desporto. Entre a velha sala das taças que fazem a memória de associação, o auditório que era novo em folha, e o grande terraço transformado numa sala com poltronas ao ar livre, o Desobedoc regressou à sua cidade natal. E fê-lo com uma programação internacional forte sobre revolução e anti-fascismo, uma sessão em torno da Agnès Varda (desaparecida nesse ano), com documentários sobre a luta de Gaza e a resistência brasileira, com filmes sobre as várias expressões do racismo e uma sessão especial do filme “O Silêncio dos Outros”, com a presença de Chato Galante, um dos protagonistas da luta contra a amnésia dos crimes do franquismo. Nesse ano, o Desobedoc prestou ainda homenagem a uma das pessoas que sempre construiu esta mostra e lhe deu a sua caótica, criativa e luminosa generosidade: o António Alves Vieira, a quem dedicámos “Um Canto de Amor” e uma noite com as suas próprias palavras de desordem, lidas então por um coro de outras vozes, e as suas imagens resgatadas e convocadas pela Regina Guimarães e pela Amarante Abramovici, em “Rasura”, projetado no corredor ao ar livre do bar Invictus. Em 2019, reforçámos também a nossa itinerância: Tavira, Bragança, Covilhã/Fundão, Coimbra, Guimarães e Vila Real.

Os anos da pandemia

Veio a pandemia. Tínhamos começado a fazer todas as diligências necessárias para voltar a reabrir, com o Desobedoc de 2020, uma outra sala esquecida e fechada há anos: o “Cinema Estúdio” no Perpétuo Socorro, um surpreendente edifício de estética brutalista bem no centro da cidade, em Costa Cabral. As autorizações estavam tratadas, o plano foi posto em marcha, a programação quase fechada. Mas o mês de março obrigou-nos a anular o que estava programado. Dois anos mais tarde, os frutos semeados nesse processo foram colhidos pela cidade. Ao criarmos um novo interesse por mais um equipamento fechado, contribuímos para que o Porto redescobrisse uma sala que foi entretanto reaberta e se encontra em pleno funcionamento, numa parceria entre a instituição que é proprietária do equipamento e a Opium, de Carlos Martins.

Mas naquela primavera de 2020, também nós tivemos de pensar como fazer uma mostra em tempos de pandemia e de confinamento. Decidimos: “O Desobedoc vai a casa.” Fizemos sessões online, com filmes e debates. Mas inquietos e com uma teimosa disposição, quisemos que, entre o 25 de abril e o 1º de maio, o Desobedoc andasse também pela rua, deambulante, com o filme de Ana Hatherly sobre a Revolução a ser projetado de forma itinerante nas paredes da cidade, por um equipamento colocado numa carrinha em andamento. À noite, nos muros e nas fachadas de alguns dos bairros da cidade, foi possível ver da janela uma seleção de curtas que escolhemos. Foi também, de novo, uma outra forma de resistência.

E agora?

Chegámos a 2022. E voltamos agora ao lugar onde tudo começou: o Cinema Trindade, com uma programação centrada nas lutas pela independência e auto-determinação da década de 60 e 70 do século XX, nas mulheres que fizeram oposição ao fascismo em Portugal, nas visões do império, com uma sessão de homenagem ao Miguel Portas em torno do Sahara, um Desobedoquinho que resgata uma proposta feita em tempos pela Luísa Moreira, com uma sessão sobre a Gisberta e tendo, nos vários filmes que serão mostrados entre 22 e 25 de abril, uma maioria de mulheres realizadoras.

Não nos move nenhuma saudade. Move-nos, sim, a vontade de justiça, em todas as esferas da vida, a indignação contra a opressão e a guerra. Move-nos o não esquecimento da resistência ao colonialismo e ao autoritarismo e a necessidade trazer essa reflexão para o presente. Move-nos o desejo de uma cidade sem muros nem ameias e de um planeta que se liberte da lógica destrutiva da mercadoria. Move-nos a reapropriação dos espaços e, também, ardentemente, o gosto pelo cinema, o prazer de o partilhar, de o programar de forma coletiva, de vê-lo em conjunto, de nos emocionarmos ao ponto de ficarmos mudos ou de querermos falar muito sobre o que vimos. Move-nos a memória, a imaginação e a afeição que temos por quem, num mundo como o nosso, é insubmisso e desobedece.

(...)

Neste dossier:

Dossier Desobedoc 2022 - Mostra de Cinema Insubmisso

Desobedoc 2022 - Mostra de Cinema Insubmisso

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‘Guerreira das ideias’, ‘poeta das imagens’ ou ‘realizadora romancista’, assim foi Sarah Maldoror e será possível apreciá-la, em todo o seu esplendor, em Monangambé e Sambizanga. As sessões serão apresentadas pela filha de Sarah Maldoror, Annouchka de Andrade. Texto de Tânia Leão

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Não desistimos de nada. Uma sessão de homenagem ao Miguel Portas

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Era uma menina gorda

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Luísa Moreira (1974-2020), de Vila do Conde: a alegria

O teatro é feito de pessoas assim, discretas, teimosas, dignas. E a Luísa Moreira foi das melhores. Texto de Jorge Silva Melo (publicado no jornal Público, 16 de Maio de 2020).

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O Desobedoquinho de Luísa Moreira (1974-2020)

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As bobines de Afrique 50, que abrirá o Desobedoc no dia 22 de abril ao final da tarde, foram confiscadas pela polícia e esse documentário valeu a René Vautier um ano de prisão e quatro décadas de censura. Para esta sessão de abertura, contamos com a presença de Amarante Abramovici e de Olivier Neveux.

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