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Grécia: Saque às pensões e aos rendimentos dos trabalhadores

Cortes nas pensões e nos salários que já ascendem a 50%, aumento da idade da reforma, aumento das contribuições dos trabalhadores e ataque aos direitos coletivos de trabalho. Esta é a receita aplicada na Grécia que tem mergulhado o país numa verdadeira calamidade social.

Desde 2010, os salários e as pensões registaram reduções entre os 35% e os 50%. Segundo o instituto de estatística grego, "93,1% dos domicílios sofreram uma quebra de rendimentos no decorrer da crise", sendo a média dessa redução de 38% em relação a 2009.

Entre 2008 e 2011, os salários reais diminuíram 12%, enquanto o rendimento médio disponível das famílias sofreu uma redução em termos nominais de 13%. De acordo com um relatório anual da OCDE para 2011, os salários registaram uma queda de 25,3% na Grécia, o que representa a maior quebra dos países membros da OCDE.

Além disso, desde 2012, e de acordo com o memorando II, o salário base mensal bruto diminuiu mais 22%: de 751 euros para 586 euros no que respeita aos maiores de 25 anos de idade e de 751 euros para 511 euros, no caso dos trabalhadores mais jovens, o que representa uma queda de 32%. Tendo em conta o salário líquido, que foi de 427 euros em 2012, a queda real dos salários ascendeu a 30%.

Com a remuneração hora a cair para 2,7 euros, formalmente, os salários regrediram aos níveis de 2005, enquanto o poder de compra real dos salários médios recuou para os níveis de 2003 e o salário mínimo caiu para o nível dos anos 70.

No final de abril de 2013, a maioria governamental aprovou no parlamento grego um novo pacote de austeridade, que impõe, entre outras medidas, o despedimento de mais 14.000 trabalhadores até ao fim de 2014 e a redução do salário mínimo de 586 euros mensais para 490 euros e para 427 euros para os menores de 25 anos (ler artigo Grécia: Greve Geral no 1º de Maio).

Paralelamente, o Estado grego tem vindo a aumentar as contribuições dos trabalhadores, ao mesmo tempo que diminui ou mesmo elimina as contribuições do patronato. Em janeiro, o governo helénico aumentou também a idade da reforma para 67 anos.

Ataque aos direitos dos trabalhadores

A par do aumento desmesurado da taxa de desemprego (ver artigo Grécia regista maior taxa de desemprego da Europa), e da diminuição abrupta de salários, os trabalhadores gregos têm vindo a ser confrontados com um ataque feroz aos seus direitos, nomeadamente com a abolição de acordos coletivos que se tem vindo a traduzir na flexibilização violenta das condições de trabalho.

Segundo dados do Serviço de Inspeção do Trabalho grego, divulgados em janeiro de 2013, meio milhão de trabalhadores aguardam o pagamento dos seus salários relativos a 2 a 5 meses de trabalho.

A Comissão de Liberdade Sindical da Organização Internacional do Trabalho alerta para o facto de as mudanças nas relações de trabalho na Grécia constituírem uma “violação manifesta dos princípios e direitos fundamentais protegidos pelas Convenções Internacionais do Trabalho 87 (proteção da liberdade sindical) e 98 (proteção da livre negociação coletiva e dos acordos coletivos)".

Governo grego delapida Fundo da Segurança Social

Além disso, os governos do memorando estão a gastar os depósitos do Fundo da Segurança Social na manutenção dos acordos de empréstimo, o que resultou no nivelamento do sistema de Segurança Social e das pensões na Grécia.

O Fundos da Segurança Social foi obrigado a comprar, com os seus depósitos, os títulos da dívida do Estado grego, e, subsequentemente, a participar no haircut da dívida, o que se traduziu na perda de 53% do valor nominal dos títulos e mais de 70% do seu valor real.

 


*Os dados citados neste artigo foram retirados do relatório da organização “Solidarity for All”, datado de março de 2013, tendo sido incluídas informações sobre as novas medidas de austeridade anunciadas no final de abril no que respeita a uma nova redução dos salários dos trabalhadores.

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Resto dossier

Grécia regista maior taxa de desemprego da Europa

Em resultado das sucessivas medidas de austeridade impostas pelos governos da troika, o desemprego na Grécia atingiu níveis apenas observados em períodos históricos que se seguiram a desastres nacionais ou guerras, sendo que o país regista a maior taxa de desemprego da Europa (27%).

Grécia: População confrontada com forte aumento do custo de vida

A receita austeritária do governo grego e da troika tem-se traduzido no aumento dos impostos diretos sobre o consumo e da tributação dos rendimentos de trabalhadores e pensionistas, ao mesmo tempo que se reduz a taxação a que estão sujeitos os lucros das empresas. Registou-se igualmente um aumento dos preços dos produtos básicos e bens essenciais e um acréscimo abrupto do preço da energia.

Austeridade condena população grega à miséria

Após quatro anos de implementação, pelos governos da troika, de dois empréstimos e de três memorandos, a população grega está mais pobre, aumentou o número de crianças mal nutridas e registou-se um acréscimo da população de sem abrigo, concentrada, essencialmente, em Atenas e Pireus.

Grécia: Crise leva a escalada do número de suicídios

Mediante o agravamento da austeridade e a deterioração das condições de vida, a Grécia têm registado um aumento no número de suicídios. A incapacidade de fazer face às despesas com bens e serviços básicos tem levado ao desespero milhares de gregos, que não encontram outra solução senão pôr termo à sua vida.

Grécia: Saque às pensões e aos rendimentos dos trabalhadores

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Grécia proíbe greve dos professores e ameaça prender grevistas

O mesmo governo que é responsável pelos 64% de desemprego jovem acusa os professores de “destruir os sonhos dos estudantes” por ameaçarem fazer greve no dia dos exames de acesso às universidades.

Grécia: Grave deterioração da saúde pública provocada pela política de austeridade

Os cortes provocados pela política de austeridade imposta pela troika estão a levar a uma grave deterioração da saúde pública na Grécia, segundo um novo estudo publicado pelo American Journal of Public Health. Explosão de suicídios e homicídios, aumento do número de casos de doenças mentais, de abuso de droga e de doenças infecciosas, nomeadamente VIH/Sida, são alguns dados referidos pelo estudo.

Austeridade e destruição da natureza : O exemplo grego

Numa entrevista concedida ao Contretemps, Roxane Mitralias, militante na SYRIZA, no CADTM, e na Frente de Esquerda sobre questões agrícolas e ecológicas, fala sobre a situação na Grécia e, particularmente, dos efeitos das políticas de austeridade em matéria de destruição do ambiente.

Grécia: Onda de discriminação e violência

Na Grécia, tem vindo a registar-se uma escalada agressiva da onda de discriminação e violência incentivada pelo partido neonazi Aurora Dourada, com o beneplácito do governo e das forças policiais. Os principais alvos são os imigrantes, mas também se registam ataques e perseguições a militantes de esquerda, anarquistas, homossexuais e judeus.

Grécia: “Ninguém ficará sozinho na crise”

Os cidadãos gregos têm rejeitado as políticas de austeridade impostas nos últimos anos recusando-se a ser a cobaia das terapias de choque que estão a causar uma verdadeira catástrofe social. A par de momentos de protestos massivos, que, em várias ocasiões, encheram as ruas do país, os cidadãos helénicos organizaram-se em movimentos de massa de resistência e solidariedade, baseando-se na premissa de que “Ninguém ficará sozinho na crise”.

Solidarity for All: "Tomar as nossas vidas nas nossas mãos”

A equipa de trabalho da iniciativa grega "Solidarity for All" respondeu a um conjunto de questões colocadas pelo esquerda.net sobre, por exemplo, o trabalho que desenvolvem e a sua relação com a coligação de esquerda Syriza.

Grécia: Perito da ONU defende que austeridade levou à contração da economia e à crise social

Após uma missão de cinco dias na Grécia, o perito independente das Nações Unidas Cephas Lumina afirmou que as “medidas excessivamente rígidas” de austeridade impostas aos gregos levaram à contração da economia do país e à crise social e defendeu que “existem alternativas viáveis à austeridade”.