Está aqui

Bolsonaro sempre contra o meio ambiente

Ainda antes de ser eleito presidente do Brasil, Bolsonaro já demonstrava desprezo pela preservação do Meio Ambiente, que considerava um obstáculo ao desenvolvimento do país. A seguir, uma seleção de frases e de ações que mostram essa obsessão do capitão contra as políticas ambientais.
Bolsonaro nunca escondeu a sua hostilidade às políticas ambientais. Foto Lusa/EPA
Bolsonaro nunca escondeu a sua hostilidade às políticas ambientais. Foto Lusa/EPA

Indústria da multa’ sobre os produtores rurais

Em visita à Festa do Peão de Barretos neste sábado (25), o candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, prometeu atacar o que chamou de “indústria da multa” sobre os produtores rurais (…) ele disse que multas são aplicadas “sem critério” dentro das propriedades, sob patrocínio do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). “Vamos resolver esse assunto”, disse Bolsonaro. “Não pode continuar acontecendo isso. Todos nós queremos preservar o meio ambiente, mas não aceitamos esse tipo de multa que visa perseguir as pessoas que produzem no Brasil”, completou em seguida.

Portal G1, 25/08/2018

Extinção do Ministério do Meio Ambiente esteve prevista

O novo governo do Brasil que começa dia 1 de janeiro de 2019, a comando de Jair Bolsonaro, anunciou que vai fundir os Ministérios do Meio Ambiente e Agricultura. Chocando ecologistas, ambientalistas e milhares de pessoas no Brasil e ao redor do planeta. (Mais tarde, Bolsonaro desistiu da ideia).

Almanaque SOS, 31/10/2018

Um investigado por fraude ambiental comandará Meio Ambiente sob Bolsonaro

Advogado Ricardo Salles é alvo de ação por improbidade administrativa no período em que foi secretário da área no Governo Alckmin. Do Partido Novo, ele preside o movimento Endireita Brasil e defendeu "bala" como resposta ao MST.

El País, 10/12/2018

Redução de 24% do orçamento do Ibama

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, mandou cortar em 24% o orçamento anual previsto para o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), órgão que está vinculado à sua pasta. Com o corte, que retira recursos que cobririam praticamente três meses dos gastos previstos para 2019, o Ibama terá seu orçamento reduzido de R$ 368,3 milhões, conforme constava na Lei Orçamentária (LOA), para 279,4 milhões de reais.

Com 89,9 milhões a menos no orçamento, o Ibama terá impacto em suas operações de fiscalização e manutenção do meio ambiente. Só as despesas fixas do órgão são estimadas em 285 milhões para este ano.

Estadão, 26/4/2019

Ex-ministros do meio ambiente acusam governo de destruição das políticas meio ambientais

Todos os ex-ministros do meio ambiente vivos desde que a pasta foi criada, em 1992, assinaram um comunicado conjunto (…) para lançar um alerta para a sociedade brasileira. E para o mundo. [Eles] acusaram o governo do ultradireitista Jair Bolsonaro (PSL) de colocar em prática em pouco mais de quatro meses uma “política sistemática, constante e deliberada de desconstrução e destruição das políticas meio ambientais” implementadas desde o início dos anos de 1990, além do desmantelamento institucional dos organismos de proteção e fiscalizadores, com o Ibama e o ICMbio. A imagem de unidade que ofereceram por cima de suas diferenças ideológicas, incluindo a que foi prejudicada e o que foi beneficiado pelo dramático impeachment de Dilma Rousseff, dá uma ideia da gravidade de sua denúncia.

El País, 9/5/2019

Governo é do agronegócio

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta quinta-feira (4), em encontro com deputados e senadores da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que o governo “é de vocês”. A frase foi dita durante um café da manhã realizado no Palácio do Planalto.

O Eco, 4/7/2019

Não reconheço o Raoni como autoridade”

Bolsonaro narrou que disse “não” para um encontro que o presidente da França, Emmanuel Macron, queria marcar entre os dois chefes de estado e o líder indígena Raoni Metuktire, da etnia kayapó, famoso por sua luta pela preservação da Amazônia e dos povos indígenas. (…)

“Dei-lhe um rotundo não! Não reconheço o Raoni como autoridade aqui no Brasil, ele é um cidadão como outro qualquer, que nós devemos respeito e consideração, mas estar a meu lado para tomar uma decisão pelo nosso Brasil, ele não é autoridade”, disse Bolsonaro aos ruralistas, que informou que convidou o presidente francês e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, para sobrevoar a Amazônia. “Se encontrasse num espaço entre Boa Vista e Manaus um quilómetro quadrado de desmatamento eu concordaria com eles”, disse.

O Eco, 4/7/2019

Transformar a baía de Angra dos Reis numa Cancún

“No Rio de Janeiro, a gente pretende, com dinheiro de fora, transformar a baía de Angra em uma Cancún. Mas, o decreto que demarcou estação ecológica só pode ser derrubado por uma lei”, disse o presidente. “Conversei com o Caiado [Ronaldo, governador de Goiás] neste sentido, com o governador do Pará [Helder Barbalho] também, e estamos conversando com vários outros governadores no sentido de nós nos unirmos e desmarcar muita coisa por decreto no passado para poder fazer com que o estado possa prosseguir”, concluiu.

Portal G1, 11/7/2019

Apesar de ilegal, garimpo tem avançado em terras indígenas

Imagens de satélite mostram o avanço do garimpo em demarcações indígenas em 2019.

Partindo da premissa de que uma imagem vale mais do que mil palavras, o que temos a seguir é a melhor forma possível de ilustrar (literalmente) como o garimpo, apesar de ilegal, tem avançado em terras indígenas brasileiras.

As imagens são da Planet Labs, uma empresa estadunidense que, com mais de 100 satélites em órbita, fotografa diariamente lugares no mundo inteiro; e foram divulgadas em reportagem da BBC News Brasil.

Almanaque SOS, 5/8/2019

Sugestão de Bolsonaro: “Fazer cocó dia sim, dia não”

Questionado se seria possível equilibrar o crescimento da economia com a sustentabilidade, Bolsonaro respondeu em tom irónico.

“Você fala para mim em poluição ambiental. É só você fazer cocó dia sim, dia não, que melhora bastante a nossa vida também”, declarou.

HuffPost, 9/8/2019

Destruição da Amazónia vira preocupação internacional e ameaça até exportações do País

Ser, na mesma semana, tema da reportagem de capa da revista de economia mais influente do mundo e um dos destaques da principal publicação científica do planeta é raro, se não inédito, e ninguém poderá negar esse feito de Jair Bolsonaro, ainda que o motivo de tamanha projeção seja mais um vexame internacional. Foi preciso o governo do ex-capitão chegar a extremos no incentivo à atividade económica predadora e questionar o conhecimento científico com truculência e obscurantismo medieval para receber a devida atenção da The Economist e da Nature.

Carta Capital, 12/8/2019

Noruega e Alemanha suspendem doações ao Fundo Amazónia

O ministro do Clima e Meio Ambiente da Noruega, Ola Elvestuen, disse nesta quinta-feira (15/08) que seu país vai suspender o repasse de 300 milhões de coroas norueguesas (133 milhões de reais) que seriam destinados ao Fundo Amazónia, o programa de financiamento à proteção da maior floresta tropical do mundo.

A Noruega é a maior doadora do fundo, tendo repassado 3,1 mil milhões de reais para a iniciativa nos últimos dez anos. A Alemanha, por sua vez, doou cerca de 200 milhões de reais.

Os dois países vinham mostrando contrariedade com a extinção de dois comités responsáveis pela gestão do Fundo Amazónia, oficializada unilateralmente pelo governo de Jair Bolsonaro no final de junho.

“O Brasil rompeu o acordo com a Noruega e a Alemanha ao extinguir o Comité Orientador (Cofa) e o Comité Técnico do Fundo Amazônia (CTFA). Eles não poderiam fazer isso sem um acordo com a Noruega e a Alemanha", disse Elvestuen ao jornal norueguês Dagens Næringsliv.

O ministro ainda lembrou que os números do desmatamento na Amazônia estão crescendo de modo acentuado.

A decisão segue medidas semelhantes adotadas pela Alemanha. No sábado, a ministra alemã do Meio Ambiente, Svenja Schulze, anunciou que seu país decidiu suspender o financiamento de projetos para a proteção da floresta e da biodiversidade no Brasil. A medida reteve 35 milhões de euros (cerca de 155 milhões de reais). (...)

Na ocasião em que anunciou o congelamento dos repasses, Schulze levantou dúvidas sobre o comprometimento do Brasil em agir contra o desmatamento. “A política do governo brasileiro na Região Amazônica deixa dúvidas se ainda se persegue uma redução consequente das taxas de desmatamento”, disse a ministra.

Após o anúncio dos alemães, Bolsonaro tratou o congelamento dos repasses com desprezo. “Ela [Alemanha] não vai mais comprar a Amazónia, vai deixar de comprar a prestações a Amazónia. Pode fazer bom uso dessa grana. O Brasil não precisa disso”, disse o presidente no domingo.

Diante da resposta de Bolsonaro, a ministra Schulze reagiu: “Isso mostra que estamos fazendo exatamente a coisa certa.” Logo depois, o presidente brasileiro voltou a atacar os alemães: “Eu queria até mandar recado para a senhora querida [chanceler federal] Angela Merkel. Pegue essa grana e refloreste a Alemanha, tá ok? Lá tá precisando muito mais do que aqui.”

DW Brasil, 15/8/2019

Questão ambiental só interessa aos veganos

Questionado se o ambiente não seria importante na transformação da baía de Angra dos Reis, o presidente fez um longo discurso contra a questão ambiental.

“Só aos veganos que comem só vegetais [é importante a questão ambiental] (...) Outros países com baía não tão exuberante como a de Angra conservam o meio ambiente. Se quiséssemos fazer uma maldade, cometer um crime, nós iríamos à noite ou em um fim de semana qualquer na baía de Angra e cometeríamos um crime ambiental, que não tem como fiscalizar”, disse.

Folha de S.Paulo, 27/8/2019

Índios não querem viver como homens pré-históricos

“Eu tenho conversado com índios, eles não querem viver como homem pré-históricos dentro das suas propriedades, eles querem em um primeiro momento energia elétrica. Estive agora no Amazonas, conversei com um pequeno grupo de índios e foi nesse sentido a conversa. O índio é um ser humano igual a nós, não é para ficar isolado em uma reserva como se fosse um zoológico”, acrescentou Jair Bolsonaro.

Folha de S.Paulo, 27/8/2019

A culpa é das ONGs

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta quarta-feira (21) que organizações não-governamentais podem estar por trás das queimadas na Amazónia por terem perdido recursos e estarem querendo atingi-lo.

Ele não apresentou evidências das alegações nem disse quais seriam estas organizações e, indagado se tinha provas do que afirmava, disse que não existem planos escritos nesses casos.

“O crime existe. Isso temos que fazer o possível para que não aumente, mas nos tiramos dinheiro de ONGs, 40% ia para ONGs. Não tem mais. De modo que esse pessoal está sentindo a falta do dinheiro. Então pode, não estou afirmando, ter ação criminosa desses ongueiros para chamar atenção contra minha pessoa, contra o governo do Brasil”, disse o presidente em entrevista ao sair do Palácio da Alvorada.

Exame, 21/8/2019

Se não podes desmentir a mensagem, despede o mensageiro

O diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Ricardo Galvão, que esteve no centro da polémica com o presidente Jair Bolsonaro sobre os dados que mostram alta do desmatamento da Amazónia, foi exonerado do cargo nesta sexta-feira, 2.

O pesquisador estava no Inpe desde 2016 e cumpria mandato à frente do órgão até 2020. Ele deixa a direção do instituto após duas semanas de intenso bombardeio por parte do governo às informações do instituto que mostram que desde maio os alertas de desmatamento da Amazônia dispararam, atingindo em julho o valor mais alto desde 2015 para um único mês. O desmatamento observado pelos alertas entre agosto do ano passado até 31 de julho é 40% maior do que o período anterior.

A decisão, que já era esperada, foi anunciada por ele mesmo após reunião que teve com o ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes. “Diante da maneira como eu me manifestei com relação ao presidente, criou um constrangimento, ficou insustentável e eu serei exonerado”, afirmou Galvão a jornalistas que estavam em frente ao ministério após a reunião.

Estadão, 9/9/2019

política: 
Governo Bolsonaro
(...)

Resto dossier

Bombeiros combatem as chamas no estado do Acre, Amazónia brasileira. Foto Lusa/EPA.

Amazónia

A Amazónia continua a sofrer a desflorestação e as queimadas, em proporções inéditas. Neste dossier, o cientista do clima Alexandre Araújo Costa, num artigo especial para o Esquerda.net, lança o apelo: o ecocídio tem de ser travado. Dossier coordenado por Luis Leiria.

Fumo dos incêndios da Amazónia obscurece o sol perto de Porto Velho, Rondónia, Brasil. Foto de Joedson Alves, Lusa/EPA

Salvar a Amazónia das Garras de Bolsonaro e do Capital

O ecocídio precisa ser contido. Bolsonaro e os ruralistas precisam ser detidos. As consequências de seus atos já seriam suficientemente abomináveis se permanecessem circunscritas ao território do Brasil, mas não! Os efeitos são planetários. Por Alexandre Araújo Costa.

O mesmo lugar, antes e depois do fogo. Fotos do Facebook de Erika Berenguer.

“As cinzas do Brasil agora buscam a gente até na grande metrópole”

No dia 23 de agosto, a investigadora brasileira Erika Berenguer, há 12 anos a trabalhar na Amazónia e há dez a investigar o impacto do fogo na floresta, escreveu um post no Facebook. Teve 51 mil “gostos”, 60 mil partilhas e 11 mil comentários.

Monitoramento e combate ao Incêndio na região de Sorriso no Norte de MT. Foto: Mayke Toscano/Secom-MT

A Fogueira das Vaidades

No planeta dos bolsonaros, toda fogueira tem serventia. Mesmo que a nuvem de fumaça dos incêndios que estão a destruir a Amazónia já seja vista até do espaço, na terra plana ela continua a nublar verdades enquanto o fogo também queima quem se opõe às leis da ganância. Por Alessandra Fonseca e Cintya Floriani

Raoni Metuktire (Kapot, no Mato Grosso, em 1930) é um líder indígena brasileiro da etnia caiapó. É conhecido internacionalmente por sua luta pela preservação da Amazónia e dos povos indígenas.

“Nós, povos da Amazónia, estamos cheios de medo. Em breve vocês também terão”, diz cacique Raoni

“Você destrói nossas terras, envenena o planeta e semeia a morte, porque está perdido. E logo será tarde demais para mudar. Então você sentirá o medo que nós sentimos.” Leia na íntegra texto do Cacique Raoni Metuktire publicado no jornal The Guardian. De Mídia Ninja.

Manifestação em defesa da Amazónia. Foto Mídia Ninja

Para barrar a devastação da Amazónia, boicote às exportações brasileiras predatórias

O movimento só terá eficácia se golpear interesses económicos estratégicos do bloco no poder. É preciso penalizar o agronegócio e o extrativismo pelos crimes dos quais eles são cúmplices. Posição da Insurgência, corrente interna do PSOL.

Incêndio em Porto Velho no dia 9 de setembro de 2019. Foto de Fernando Bizerra Jr, Lusa/EPA.

Amazónia arde cada vez mais

Apesar de Bolsonaro ter enviado para a Amazónia 44 mil militares para combater os fogos, a área ardida em agosto foi mais de quatro vezes superior à do mesmo mês no ano passado. Área desflorestada nesse mês também representou um aumento de 222% em relação a agosto de 2018.

Bolsonaro nunca escondeu a sua hostilidade às políticas ambientais. Foto Lusa/EPA

Bolsonaro sempre contra o meio ambiente

Ainda antes de ser eleito presidente do Brasil, Bolsonaro já demonstrava desprezo pela preservação do Meio Ambiente, que considerava um obstáculo ao desenvolvimento do país. A seguir, uma seleção de frases e de ações que mostram essa obsessão do capitão contra as políticas ambientais.

Michael Löwy: Em vez da soja e do boi para o mercado mundial, por que não uma agricultura camponesa orgânica, voltada para o mercado interno? Foto USP

Michael Löwy: A emergência climática é a questão política central da nossa época

Para impedir uma catástrofe climática sem precedentes, é preciso deixar o petróleo e o carvão no solo, o que a oligarquia fóssil que governa o sistema nunca aceitaria. Numa transição ao ecossocialismo podem-se criar as condições para substituir as energias fósseis por renováveis, defende o sociólogo nesta entrevista de Patricia Fachin, publicada no IHU Online.