Está aqui

Amazónia arde cada vez mais

Apesar de Bolsonaro ter enviado para a Amazónia 44 mil militares para combater os fogos, a área ardida em agosto foi mais de quatro vezes superior à do mesmo mês no ano passado. Área desflorestada nesse mês também representou um aumento de 222% em relação a agosto de 2018.
Incêndio em Porto Velho no dia 9 de setembro de 2019. Foto de Fernando Bizerra Jr, Lusa/EPA.
Incêndio em Porto Velho no dia 9 de setembro de 2019. Foto de Fernando Bizerra Jr, Lusa/EPA.

Os incêndios na Amazónia no mês de agosto devastaram uma área de 29.944 km², o equivalente a 4,2 milhões de campos de futebol, segundo dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisa Espacial). A área ardida é mais de quatro vezes superior à de agosto de 2018, quando arderam 6.048 km².

Apesar de o governo Bolsonaro ter anunciado o envio de 44 mil militares para combater os fogos na região Amazónica, só no mês de agosto ardeu 63% do total de área queimada no ano, que já atingiu os 43.573 km².

Esta área já supera o total de território da Amazónia queimado em todo o ano de 2018 (43.171 km²), e ainda estamos a começar o nono mês de 2019.

A diretora de ciência do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), Ane Alencar, afirma que o aumento no número de queimadas só pode ser explicado pelo aumento da desflorestação, já que não houve qualquer evento climático extremo que justifique essa situação. “Neste ano não temos uma seca extrema, como em 2015 e 2016. Em 2017 e 2018, tivemos um período chuvoso suficiente. Em 2019, não temos eventos climáticos que afetam as secas, como o El Niño, ou eles não estão acontecendo [de maneira] forte. Não há como o clima ser a explicação desse aumento [de queimadas]”.

Desflorestação continua a crescer

O Inpe também divulgou a área desflorestada no mês de agosto que representa um aumento de 222% em comparação com o mesmo mês do ano passado, de acordo com o DETER, um levantamento rápido de alertas de evidências de alteração da cobertura florestal na Amazónia desenvolvido como um sistema de alerta para dar suporte à fiscalização e controlo da desflorestação e da degradação florestal realizadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e demais instituições ligadas a esta temática.

Nos últimos meses, a desflorestação, comparada a anos anteriores, vem crescendo. Os meses de junho e julho, respetivamente, apresentaram crescimento de 90% e 278% da área desflorestada em comparação aos mesmos meses de 2018.

Para Ricardo Mello, gerente do programa Amazónia do WWF Brasil, a queimada é o processo final da desflorestação, com a conversão de uma área florestal em pasto para pecuária. “Em regra isso tem a ver com aumento de área de pastagem. Em poucos casos, como no norte de Mato Grosso, é ligado à agricultura e outros usos agrícolas”, afirma.

(...)

Resto dossier

Bombeiros combatem as chamas no estado do Acre, Amazónia brasileira. Foto Lusa/EPA.

Amazónia

A Amazónia continua a sofrer a desflorestação e as queimadas, em proporções inéditas. Neste dossier, o cientista do clima Alexandre Araújo Costa, num artigo especial para o Esquerda.net, lança o apelo: o ecocídio tem de ser travado. Dossier coordenado por Luis Leiria.

Fumo dos incêndios da Amazónia obscurece o sol perto de Porto Velho, Rondónia, Brasil. Foto de Joedson Alves, Lusa/EPA

Salvar a Amazónia das Garras de Bolsonaro e do Capital

O ecocídio precisa ser contido. Bolsonaro e os ruralistas precisam ser detidos. As consequências de seus atos já seriam suficientemente abomináveis se permanecessem circunscritas ao território do Brasil, mas não! Os efeitos são planetários. Por Alexandre Araújo Costa.

O mesmo lugar, antes e depois do fogo. Fotos do Facebook de Erika Berenguer.

“As cinzas do Brasil agora buscam a gente até na grande metrópole”

No dia 23 de agosto, a investigadora brasileira Erika Berenguer, há 12 anos a trabalhar na Amazónia e há dez a investigar o impacto do fogo na floresta, escreveu um post no Facebook. Teve 51 mil “gostos”, 60 mil partilhas e 11 mil comentários.

Monitoramento e combate ao Incêndio na região de Sorriso no Norte de MT. Foto: Mayke Toscano/Secom-MT

A Fogueira das Vaidades

No planeta dos bolsonaros, toda fogueira tem serventia. Mesmo que a nuvem de fumaça dos incêndios que estão a destruir a Amazónia já seja vista até do espaço, na terra plana ela continua a nublar verdades enquanto o fogo também queima quem se opõe às leis da ganância. Por Alessandra Fonseca e Cintya Floriani

Raoni Metuktire (Kapot, no Mato Grosso, em 1930) é um líder indígena brasileiro da etnia caiapó. É conhecido internacionalmente por sua luta pela preservação da Amazónia e dos povos indígenas.

“Nós, povos da Amazónia, estamos cheios de medo. Em breve vocês também terão”, diz cacique Raoni

“Você destrói nossas terras, envenena o planeta e semeia a morte, porque está perdido. E logo será tarde demais para mudar. Então você sentirá o medo que nós sentimos.” Leia na íntegra texto do Cacique Raoni Metuktire publicado no jornal The Guardian. De Mídia Ninja.

Manifestação em defesa da Amazónia. Foto Mídia Ninja

Para barrar a devastação da Amazónia, boicote às exportações brasileiras predatórias

O movimento só terá eficácia se golpear interesses económicos estratégicos do bloco no poder. É preciso penalizar o agronegócio e o extrativismo pelos crimes dos quais eles são cúmplices. Posição da Insurgência, corrente interna do PSOL.

Incêndio em Porto Velho no dia 9 de setembro de 2019. Foto de Fernando Bizerra Jr, Lusa/EPA.

Amazónia arde cada vez mais

Apesar de Bolsonaro ter enviado para a Amazónia 44 mil militares para combater os fogos, a área ardida em agosto foi mais de quatro vezes superior à do mesmo mês no ano passado. Área desflorestada nesse mês também representou um aumento de 222% em relação a agosto de 2018.

Bolsonaro nunca escondeu a sua hostilidade às políticas ambientais. Foto Lusa/EPA

Bolsonaro sempre contra o meio ambiente

Ainda antes de ser eleito presidente do Brasil, Bolsonaro já demonstrava desprezo pela preservação do Meio Ambiente, que considerava um obstáculo ao desenvolvimento do país. A seguir, uma seleção de frases e de ações que mostram essa obsessão do capitão contra as políticas ambientais.

Michael Löwy: Em vez da soja e do boi para o mercado mundial, por que não uma agricultura camponesa orgânica, voltada para o mercado interno? Foto USP

Michael Löwy: A emergência climática é a questão política central da nossa época

Para impedir uma catástrofe climática sem precedentes, é preciso deixar o petróleo e o carvão no solo, o que a oligarquia fóssil que governa o sistema nunca aceitaria. Numa transição ao ecossocialismo podem-se criar as condições para substituir as energias fósseis por renováveis, defende o sociólogo nesta entrevista de Patricia Fachin, publicada no IHU Online.