Mais de 100 milhões de mulheres sofreram mutilação genital

23 de outubro 2007 - 12:37
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Mutilação genitalUm estudo do Instituto francês de Estudos Demográficos revela que entre 100 a 140 milhões de mulheres foram vítimas de mutilação genital. Mais de 6 milhões vivem nos países do Norte, em resultado da imigração, e são 28 os países africanos onde a prática existe. O estudo esclarece que na origem da mutilação sexual, que provoca graves problemas de saúde, estão razões culturais e étnicas e não imposições de ordem religiosa. < 

As mutilações sexuais ou excisões, que trazem graves consequências para a saúde física e psicológica das mulheres, são praticadas essencialmente na África subsariana, em algumas regiões do Médio Oriente e no sudeste asiático (Iêmen, Indonésia e Malásia).

Em África, local onde o estudo dispensou mais atenção, 28 países praticam as mutilações, que vão da excisão parcial do clitóris à infibulação (sutura dos órgãos genitais).

Mas o número de mulheres que foram submetidas a tais procedimentos varia muito de país para país, explicaram os investigadores do Instituto Nacional dos Estudos Demográficos, Armelle Andre e Marie Lesclingland, de 1,4% nos Camarões a 96% na Guiné.

Frequentemente apresentada como "conseqüência de imposições religiosas, nomeadamente do Islão", esta prática nasceu "bem antes da chegada na África das religiões monoteístas e nenhum texto religioso a justifica", afirmam os autores.

Não há relação entre a difusão do Islão num país e a proporção de mulheres que ali sofreram excisão. Na Etiópia, por exemplo, três quartos das mulheres foram vítimas desta prática, enquanto apenas um terço da população é muçulmana. No Níger, 2% das mulheres são mutiladas, enquanto que o país é quase inteiramente muçulmano. Por outro lado, no Mali, também muçulmano, mais de 90% das mulheres foram submetidas à mutilação.

Foi preciso esperar até 2003 para que os países membros da União Africana assinassem um protocolo que proibia as mutilações sexuais. Mas as leis existentes na maioria dos países raramente são aplicadas.

Na França, o estudo estima em 50.000 o número de mulheres adultas mutiladas em 2004 entre a população imigrante de origem africana. O primeiro país europeu a lidar com o tema da mutilação genital, ainda em 1979, a França continua tímida em relação ao assunto, afirmou Armelle Andro. "A excisão é ainda um tabu", disse à AFP. A cirurgia reparadora, praticada numa dezena de hospitais e clínicas, possibilita que as lesões sejam revertidas.

Além de anularem o prazer sexual da mulher, as mutilações genitais têm outros resultados nefastos para o resto da vida: dores, hemorragias, retenção de urinas, infecções na infância; relações sexuais dolorosas e complicações durante o parto.