Francisco Martins Rodrigues, director da revista Política Operária, ex-membro do comité central do PCP e líder da primeira ruptura do partido devido ao conflito sino-soviético, que deu origem ao Comité Marxista-Leninista Português, morreu hoje de madrugada em Lisboa, com 81 anos. O funeral realiza-se quarta-feira às 13h30 no Cemitério do Alto São João, onde o corpo será cremado. O Esquerda.net apresenta as suas sinceras condolências aos seus familiares e amigos.
Francisco Martins Rodrigues começou a militar no MUD Juvenil. Entrou no PCP em 1951, foi preso em 1957 e condenado a três anos de prisão. Esteve com Álvaro Cunhal na prisão de Peniche, acompanhando-o na histórica fuga de 1960.
Membro suplente do Comité Central do PCP entra em discordância com a direcção do partido e com Álvaro Cunhal em 1963, sendo expulso em 1964.
Francisco Martins Rodrigues destaca-se por fazer uma crítica pela esquerda ao PCP e por apoiar as críticas chinesas à União Soviética. Em 1964, escreve "Luta Pacífica ou Luta Armada" um texto de oposição ao "Rumo à Vitória" de Álvaro Cunhal, defendendo a luta armada para o combate ao fascismo. Francisco Martins Rodrigues protagoniza a vontade dos sectores sociais que defendem a radicalização da luta contra o regime de Salazar, após a candidatura de Humberto Delgado e o início da guerra colonial.
Em 1964, com o médico João Pulido Valente, que tivera um papel importante no PCP de Lisboa, e Rui D'Espiney, cria a Frente de Acção Popular (FAP) e o Comité Marxista-Leninista Português (CMLP), com o objectivo de refundar o partido comunista. Os três partem para regressar a Portugal, mas uma nota publicada pelo Avante! denunciou a sua chegada. Voltaram a Paris e acabaram por só conseguir entrar no país meses depois, em 1965.
Preso pela PIDE em 1966, os três sofreram torturas muito violentas, foram condenados a pesadas penas de cadeia e só foram libertados dois dias após o 25 de Abril.
Francisco Martins Rodrigues participa então na fundação da União Democrática Popular (UDP) em Dezembro de 1974. Em 1984 rompe com a União Democrática Popular e funda a Organização Comunista Política Operária.