Bloco exige a PR explicações sobre "dia da raça"

10 de junho 2008 - 2:31
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Os desfiles da Mocidade Portuguesa eram característicos do "Dia da Raça" no Estado NovoO Bloco de Esquerda exigiu que Cavaco Silva esclareça o que quis dizer ao referir-se ao 10 de Junho usando a designação típica da ditadura salazarista, isto é, "o dia da raça", recuperando a "terminologia racista e segregadora do Estado Novo". Questionado pelos jornalistas sobre a paralisação dos camionistas, o Presidente da República disse: "Hoje eu tenho que sublinhar, acima de tudo, a raça, o dia da raça, o dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas".

O deputado e historiador Fernando Rosas exigiu uma explicação: "Tudo isto é paradoxal, anacrónico e faz-nos ecoar os termos de outrora. Nesse sentido, acho que o Presidente da República deve uma explicação ao país acerca da recuperação para o dia 10 de Junho das designações de raça e de dia da raça», lembrando que a expressão, que foi abandonada após o 25 de Abril de 1974, está claramente conotada com o Antigo Regime. "O dia da raça foi criado na época do fascismo e trabalha com a ideia absurda de que há uma raça portuguesa, com características que não sei quais são", explicou.

"É incompreensível que o mais alto representante da República veicule publicamente a pior imagética do anterior regime, insistindo na existência de um suposto atributo rácico comum à cidadania nacional que merece ser exaltado na sua superioridade", diz o Bloco de Esquerda em comunicado.

A designação oficial do 10 de Junho é, actualmente, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Para Jorge Cordeiro, do PCP, "a concepção de dia de raça é uma afirmação pouco compatível com os valores de Abril e do regime democrático", disse à rádio TSF, considerando no entanto que o chefe de Estado deve tê-la dito "num equivoco ou num lamentável erro de linguagem".