Armando Vara constituído arguido

29 de outubro 2009 - 10:35
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Armando Vara constituído arguido Foto da Lusa (aquivo)O vice-presidente do Millennium BCP e ex-ministro da Administração Interna do Governo Guterres, Armando Vara, foi hoje constituído arguido no âmbito da operação Face Oculta. Com o objectivo de esclarecer a adjudicação fraudulenta de concursos e consultas públicas na área da recolha e gestão de resíduos industriais, a operação da Polícia Judiciária terá surpreendido o empresário a pedir cerca de dez mil euros para pagar a intermediação de negócios.

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Segundo o Departamento de Investigação Criminal da Polícia Judiciária de Aveiro, a operação Face Oculta tem como objectivo esclarecer a actividade do grupo empresarial de José Godinho, que terá sido beneficiado na adjudicação de concursos e consultas públicas na área da recolha e gestão de resíduos industriais, fazendo uso de um esquema organizado cujos supostos cúmplices seriam quadros médios e superiores de grande empresas públicas e participadas pelo Estado, como a REN, a Galp e a Refer.

A operação, que atinge todo o território nacional, já realizou buscas nas dependências de diversas dessas empresas, tendo inclusive apreendido documentos e computadores. A REN já foi notificada a esclarecer os contratos celebrados com algumas das empresas suspeitas. Paulo Penedos, filho do presidente da REN, José Penedos, também foi constituído arguido nesta operação, sendo suspeito de ter obtido 240 mil euros pela influência exercida junto do pai.

Na Galp, algumas buscas foram realizadas no local de trabalho de um quadro sediado na Refinaria de Sines, situação semelhante à observada na Refer. As empresas O2 e SCI, de José Godinho, seriam as principais beneficiadas no esquema, só a O2, empresa que actua no tratamento e limpeza de resíduos industriais viu a sua facturação passar dos 19,3 milhões de euros em 2007, para 34 milhões em 2008, resultados supostamente obtidos com a "compra" de negócios e a ajuda de comissões.

 

Armando Vara fez carreira política no PS de Bragança, foi secretário de Estado e posteriormente Ministro da Administração Interna. O seu nome ficou associado ao caso da Fundação para a Prevenção e Segurança, fundação privada criada por ele ainda como Governante, e que organizava campanhas de prevenção rodoviária para o Estado, contornando a possibilidade de escrutínio público. Com o regresso do PS ao poder em 2006, Vara foi nomeado administrador da CGD, de onde posteriormente saiu para ver o seu salário duplicar como administrador do BCP.